Encerrado o prazo oficial para a entrega dos carros usados por deputados à Assembléia Legislativa, o presidente da comissão especial criada para coordenar esse processo, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB) contabilizava ontem 117 carros no estacionamento da casa. Faltavam, portanto, 23 dos 140 veículos que compõem a frota. Segundo ele, alguns ainda estavam dependendo de uma solução judicial para o agravamento de multas. Entre estes está o carro que servia o gabinete do deputado Neivo Beraldin (PDT), retido desde o final do ano passado em um posto da Polícia Rodoviária na BR-373.

O agente que autuou o veículo disse que ele passou pelo posto em alta velocidade. Beraldin explica que retornava, já no início da madrugada, de um jantar com o deputado Jocelito Canto e correligionários. Cansado, adormeceu no banco do passageiro e não observou se o motorista ultrapassou o limite de velocidade. Mas o carro da Assembléia ficou retido porque tinha uma extensa lista de multas. Agravadas, elas atingiram a cifra de R$ 17 mil.

O deputado adiantou que vai resolver a pendência para entregar o carro, mas questionou sua legitimidade. “A burocracia que envolve a tramitação dessas multas acaba favorecendo o agravamento. Os dois veículos que servem meu gabinete têm 14 infrações, no valor de R$ 1.500, 00. Com o agravamento, esse número vai para R$ 36 mil, o que é um absurdo”.

O deputado pode se valer de uma decisão do Diretran, que desconsidera o agravamento de multas no caso dos automóveis à serviço do poder Legislativo. Para ele, o dispositivo deve ser estendido aos demais motoristas penalizados por radares, não se restringindo apenas aos deputados. O pedetista aponta “uma verdadeira quadrilha nacional que movimenta a indústria da multa em Curitiba” e anuncia que predende fazer denúncias importantes, nos próximos dias, de irregularidades nessa área.