Foto: Aliocha Maurício/O Estado
André Vargas, com o diploma de deputado federal: petista será o vice-líder do partido.

O presidente estadual do PT e deputado federal eleito, André Vargas, anunciou ontem que desistiu do cargo de secretário do Trabalho do governo Roberto Requião e decidiu assumir sua vaga na Câmara dos Deputados. A justificativa de Vargas foi que ele recebeu o convite da bancada do PT para ser o vice-líder do partido na Câmara, além do fato de que pode ter um posto na Comissão de Minas e Energia – o setor que vai receber a maior parte de recursos do Programa  de Aceleração do Crescimento (PAC).

De acordo com o deputado, a decisão não muda a relação institucional entre o PT e o governo estadual e não compromete a participação dos outros integrantes do partido que foram convidados para atuar na administração de Requião. Porém, apesar de Vargas negar, outras fontes dizem que Requião pediu ao deputado para que Emerson Nerone (PHS) fosse mantido no cargo de diretor-geral. Esse pedido teria influenciado a decisão do deputado.

Na ausência de Vargas na Secretaria do Trabalho, o cargo vai ser ocupado pelo deputado tucano reeleito Nelson Garcia. E Nerone voltará a ser diretor-geral, função que exercia quando Padre Roque foi secretário. Segundo Vargas, a entrada de um tucano pode dar algum trabalho para que haja harmonização com a política do governo federal. ?Mas é uma hipótese?, disse.

Porém, para o secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, a entrada de Garcia não vai trazer problemas na relação entre o PT e o PMDB. De acordo com Iatauro, Garcia é mais ?requianista? que tucano. ?O governador conversou com o (Jorge) Samek e a Gleisi (Hoffmann) e eles iriam se comprometer a ter um entendimento com Nelson Garcia?, disse.

Iatauro afirmou que na hora que Vargas quiser, ele será secretário de Requião, daí em outra pasta. ?Vargas chegou a conclusão que não era um bom momento de renunciar à presidência do PT. Ele tem um trânsito muito bom em Brasília, ainda mais com o Paulo Bernardo como ministro do Planejamento. O governador disse ao deputado que não queria abrir mão dele como secretário, mas entendia o momento?, declarou.

Segundo Iatauro, a permanência de Ênio Verri como secretário de Planejamento e de Walter Bianchini à frente da Secretaria de Agricultura e de outros petistas estão garantidas. Mas, questionado se os dois petistas citados teriam liberdade para nomeação, o secretário disse não acreditar que isso vá ocorrer. ?O governador é muito firme a esse respeito?, afirmou Iatauro.

O levante

Na terça-feira, dia 30, Vargas afirmou que não pretendia desistir da Secretaria, mas queria certa autonomia para poder escolher sua equipe. O deputado não gostou da declaração de Nerone, que declarou à reportagem de O Estado no último sábado que, provavelmente, seria mantido na direção-geral da pasta. Na ocasião, o deputado disse que se assumisse a Secretaria não iria manter Nerone. Vargas afirmou que não queria autonomia plena na pasta, até porque nenhum secretário tem essa liberdade, mas era importante que, como secretário, pudesse ter liberdade de escolha, dentro da linha determinada pelo governador.

Na última semana, uma cópia impressa de e-mail de peemedebistas descontentes circulou pela Boca Maldita, em Curitiba, no qual pretendiam reivindicar a permanência deles próprios nos cargos de chefes regionais e de Nerone como secretário.

IAP

Iatauro confirmou ainda que Victor Hugo Burko (PL) vai assumir a presidência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). No primeiro turno das eleições, Burko foi vice-candidato ao governo na chapa de Flávio Arns (PT), mas no segundo turno apoiou Requião, contrariando a direção do PL, que optou pela candidatura do senador Osmar Dias (PDT).