O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), disse nesta sexta-feira que a tentativa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, de transmitir ao vice-presidente da República, Michel Temer, o recado da presidente Dilma Rousseff quanto à possibilidade de retaliação no caso dos deputados não votarem o Código Florestal como ela esperava – segundo revela a colunista Dora Kramer, de O Estado de S.Paulo – mostra que o governo é hoje “uma nau à deriva”, recorrendo à pressão por não ter comando. “A relação com o Congresso fica comprometida, aí o governo é obrigado a fazer concessões, porque a rédea está solta”, afirmou.
Ao contrário do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que disse desconhecer o telefonema de Palocci a Temer ameaçando retaliar com a exoneração dos ministros peemedebistas, o líder tucano disse que não só ele, mas muitos parlamentares souberam dessa conversa.
Na opinião de Álvaro Dias, mais estranho do que a falta de habilidade de Palocci em transmitir o recado a Temer é o fato de Dilma tê-lo nomeado para o cargo de ministro da Casa Civil, mesmo sabendo dos antecedentes que, há cinco anos, o obrigaram a renunciar ao cargo de ministro da Fazenda.
“Acho mais estranho a presidente colocá-lo para um ministério tão importante conhecendo seus precedentes no governo anterior”, afirmou. “A tentativa do PT de tentar reabilitar mensaleiros e outros envolvidos em irregularidades é uma prática condenável, muito ruim para o País”, criticou Alvaro.
Não desiste
Mesmo com a retirada da assinatura do senador Clésio Andrade (PR-MG) do requerimento de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as atividades do ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como consultor, o líder do PSDB, senador Álvaro Dias, acredita que a oposição conseguirá realizar a investigação. Dias informa que tem 18 assinaturas, 9 menos do que o necessário para criar a CPI. Mas diz confiar no “poder das circunstâncias” que, na sua opinião, convencerá até mesmo os aliados do Planalto a apoiar a comissão.
“Alguns senadores condicionaram a assinatura à resposta que o ministro Palocci dará ao Ministério Público. Eles pediram que aguardemos as explicações do ministro, e se elas não forem convincentes, teremos como criar a CPI”, afirma. No caso de faltar assinatura na Câmara, o líder tucano prevê que a comissão poderá deixar de ser mista, realizando-se apenas no Senado.
Para o senador, a iniciativa do Ministério Público Federal do Distrito Federal de instaurar procedimento investigatório para apurar o suposto enriquecimento de Palocci reforça a necessidade da CPI. “Significa que o Ministério Público considera que os indícios são sérios e as denúncias consistentes, além de mostrar que há fato relevante”, alega.
Álvaro Dias chamou de “invasão de competência” a iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intervir a favor de Palocci. “É uma situação de gravidade, porque mostra que a presidente nada fez. Ela ficou reclusa durante um período, não se pronunciou nem adotou nenhuma providência. Foi necessário o ex-presidente vir a Brasília”, lembra.
“E quanto ela aparece, em vez de dizer a Palocci que vá ao Congresso ou afastá-lo até que tenha informações cabais sobre as denúncias, ela adotou a estratégia de blindagem. Se os ilícitos se confirmarem, Dilma Rousseff se tornará cúmplice”, afirmou. Para o líder, a situação “é muito complicada”.
“De um lado, a divisão de poder entre a presidente e o ex-presidente, e do outro, a apatia inicial e depois as declarações equivocadas para blindar Palocci e não para adotar providências”, disse.


