Após o discurso do ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), a oposição se mobilizou, no final da tarde de terça-feira (3), e chegou a conseguir as 27 assinaturas necessárias para pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de irregularidades na área dos Transportes. Nos minutos finais do expediente, no entanto, ao menos um dos signatários – o senador João Durval (PDT-BA) – voltou atrás. Ao longo da noite, os oposicionistas ainda tinham esperança de obter outra assinatura, mas corriam o risco, também, de sofrer novas desistências.

O risco de instalação da CPI preocupa a presidente Dilma Rousseff. Na tentativa de contornar o descontentamento da base, a presidente deve se reunir nesta quarta-feira (3) com o Conselho Político, formado por presidentes e líderes de partidos da coalizão.

Além de Durval, a oposição havia conseguido nas últimas horas do dia o apoio dos senadores Reditário Cassol (PP-RO), suplente de Ivo Cassol, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), e Zezé Perrela (PDT-MG). No total, dez senadores da base haviam assinado o requerimento da CPI.

O requerimento foi encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa do Senado para conferência das assinaturas. Se os 27 forem conseguidos hoje, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) – ou qualquer senador que esteja interinamente na presidência do plenário – terá que fazer a leitura do documento. A partir dessa leitura, o Planalto tem até meia-noite para conseguir retirar as assinaturas.

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, conversou ontem à noite com a presidente sobre os problemas de uma eventual CPI. O comentário, no Planalto, é que ninguém sabe o que está por vir. Auxiliares de Dilma temem que a oposição, comandada pelo PSDB, consiga angariar apoio dos insatisfeitos e dê início a uma “guerra de dossiês”. O Estado de S. Paulo.