Brasília – O primeiro-vice presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que o ambiente na casa está "tenso" após a sessão secreta realizada ontem (12) que absolveu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de ter o mandato cassado. Foram 40 votos pela absolvição, 35 votos a favor da perda do mandato e seis abstenções. Para aprovar a cassação ou a absolvição era necessária a maioria simples dos 81 senadores, ou seja, 41.

Viana, mais uma vez, defendeu o voto aberto. Ele espera que projeto de resolução que permite votação aberta seja aprovado antes que os outros dois processos contra Renan que estão no Conselho de Ética cheguem ao plenário.Para o senador, quem é contra o voto aberto deveria assumir a posição. ?Aqui fica o jogo de dupla cara. Na hora que está moda, diz que é a favor", afirmou.

Sobre a sessão secreta realizada ontem no plenário do Senado, Viana contou que o presidente da Casa fez um discurso de defesa ?firme e posicionado de quem acredita na própria versão". Segundo ele, houve um momento de "desconforto" entre a presidente do P-SOL, Heloísa Helena, e Renan. "Ali, houve um descontrole de ambas as partes?, informou. Heloísa Helena falou em plenário em nome do partido que apresentou representação contra o senador.

Tião Viana condenou ainda a atitude de deputados que foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal a assistir a sessão. O petista revelou que apesar de a sessão ser secreta, alguns parlamentares chegaram a ir ao banheiro para transmitir informações e outros estavam com gravadores. . ?A decisão do STF trouxe uma ruptura no processo de convivência com o Legislativo. O que era um assunto interno foi interpretado como decisão judicial?, observou.

Durante toda a tarde de ontem, foi intensa a movimentação de deputados no plenário do Senado. Entre os que passaram informações para a imprensa estão Paulo Pereira (PDT-SP), Vanderlei Macris (PSDB-SP), Barbosa Neto (PDT-PR), Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e outros. Dois deputados se recusaram a dar detalhes sobre o andamento da sessão – José Eduardo Cardoso (PT-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Nenhum senador deixou a sessão para falar com jornalistas.

Tião Viana disse ainda  que acredita que Renan Calheiros não vai se licenciar do cargo.