A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) divulgou, ontem, nota de desagravo repudiando os “comentários ofensivos” do deputado estadual Fábio Camargo (PTB), contra o juiz titular da Vara de Inquéritos da Capital, Pedro Sanson Corat, um “magistrado de atuação correta e extrema dedicação ao trabalho”, segundo a entidade.

A associação lamentou os exageros do deputado, lembrou a boa relação entre a Magistratura paranaense e o Poder Legislativo estadual e informou que tomará as providências cabíveis, em defesa de seu associado.

“O deputado não apresenta nenhuma prova de suas alegações, razão pela qual as ofensas gratuitas não podem ser levadas a sério. Tem-se a impressão de que o parlamentar pretende apenas aparecer”, diz a nota.

A Amapar solicitou à Assembléia Legislativa as notas taquigráficas da sessão de terça-feira, quando Fábio Camargo chamou o magistrado de “moleque criminoso com toga de juíz”. O deputado acusa Corat de pressioná-lo para não levar adiante a proposta de Comissão Especial para investigar as escutas telefônicas no estado.

Por telefone, o presidente da associação, Miguel Kfouri Neto, confirmou que considerou exageradas as declarações do deputado e classificou como desproporcionais as palavras usadas. “Se não concorda com a conduta do juiz, ele tinha meios legais para questionar, poderia procurar nossa corregedoria ou, até, o Conselho Nacional de Justiça”, disse.

O presidente da Amapar também comentou a divulgação pelo CNJ do número de escutas telefônicas no Brasil e disse que não considera alto as 938 interceptações autorizadas pela Justiça Estadual paranaense em andamento.

“Não vejo exagero, são autorizações judiciais para investigações importantes para o estado e, até, o país. Mas entendendo que essas autorizações devem ter boa fundamentação e sem abusos”, disse. “Os excessos nas autorizações de escutas, se ocorrerem, serão apurados. Mas os excessos cometidos pelo deputado também”, concluiu.

A assessoria de imprensa de Fábio Camargo informou que o deputado deve enviar, hoje, ofício à Ampar, mas adiantou que “respeita o Judiciário, tanto que faz parte de uma família de juízes e desembargadores”.

O deputado alega que em momento algum criticou a classe dos juízes “e sim um juiz que desrespeita a Constituição, autorizando escutas telefônicas ao arrepio da lei, distribuindo senhas a policiais para ter acesso a telefones de todo o País 24h por dia durante um ano inteiro”, diz, reafirmando estar revoltado com a atitude do magistrado.

“O Judiciário Paranaense não pode correr o risco de ser olhado com desconfiança pela opinião pública por causa de um juiz que se traveste de policial e toma atitudes que ferem a legislação federal”, afirmou o deputado.