A Operação Alba Branca aponta a distribuidora de bebidas do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB/SP), em Pirassununga, interior de São Paulo, como um dos endereços de suposta entrega de propinas da quadrilha da merenda escolar que agia em pelo menos 22 prefeituras e mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

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Um dos alvos da investigação, Carlos Luciano Lopes, relatou ao Ministério Público e à Polícia Civil que o lobista da organização Marcel Ferreira Júlio fazia pagamentos naquele local de “comissões” sobre venda de produtos agrícolas superfaturados para merenda.

O depoimento de Lopes foi dado no dia 20 de janeiro, um dia depois que Alba Branca foi deflagrada.

Vendedor da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), carro-chefe do esquema de fraudes em licitações, Lopes contou que, em duas ocasiões, acompanhou um colega, César Bertholino, e o lobista Marcel Ferreira Júlio, filho do ex-deputado Leonel Júlio – cassado em 1976 pelo regime militar em meio ao famoso “escândalo das calcinhas”.

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“Numa dessas vezes que César levava dinheiro para ele (Marcel), era combinado que se encontrariam na cidade de Pirassununga, onde o pagamento era realizado na distribuidora de bebidas de propriedade do deputado Nelson Marquezelli”, relatou Carlos Luciano Lopes.

Segundo ele, “nas duas oportunidades em que esteve presente, o pagamento da ‘comissão’ realizou-se no estacionamento da distribuidora”.

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O vendedor da Coaf afirmou. “Marcel guardava o dinheiro no seu automóvel, em seguida todos entravam no escritório do deputado, conversavam sobre assuntos políticos, mas em determinado momento da conversa o declarante e César Bertholino se retiravam da sala a pedido de Marcel.”

Ainda segundo o investigado, Marcel “ficava a sós com o deputado, alegando o declarante desconhecer o assunto do qual tratavam”.

Carlos Luciano Lopes declarou que nessas duas oportunidades ele e César Bertholino “aguardaram Marcel sair da sala do deputado e saíam com ele do escritório, não sabendo se depois ele retornava para entregar parte desta comissão ao deputado”.

Ele declarou não saber dizer “se o deputado Nelson Marquezelli recebia ‘comissão’ do contrato firmado com o Estado ou com prefeituras.

A reportagem mandou e-mail para a assessoria de Marquezelli, na semana passada, com indagações sobre o eventual relacionamento do parlamentar com o lobista da quadrilha da merenda, mas não houve resposta.