O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) desafiou hoje a presidente Dilma Rousseff a agir com o PMDB da mesma forma como fez com o PR, que perdeu 28 servidores por conta da primeira faxina realizada na sua equipe ministerial. “Vamos ver se a presidente está realmente disposta a fazer o que ela chamou de faxina”, afirmou. “Ela mexeu com o PR, será que terá a coragem de enfrentar os problemas do PMDB?”, questionou.

No seu entender, o governo enfrenta o impasse de encontrar “coisas ruins” em qualquer lugar que mexer. No caso específico do Ministério da Agricultura, Aloysio Nunes lembra que a exoneração do ex-secretário-executivo Milton Ortolan “logo de cara” demonstra que a situação na pasta é pior do que mostra a reportagem da revista Veja sobre a cobrança de propina de contratos da pasta. “Se o assessor direito do ministro saiu logo de cara, é porque tem coisa mais grave lá dentro”, afirmou.

O senador disse que falta à presidente Dilma um comportamento transparente em substituição à atitude adotada até agora, de “dar uma no cravo e outra na ferradura”. “A presidente tirou muitas pessoas do Ministério dos Transportes mas, ao mesmo tempo, o governo se esforçou para retirar as assinaturas e impedir uma CPI para apurar irregularidades na pasta”, criticou. “Em matéria de corrupção, o governo está na seguinte situação, como se diz lá no interior: cada machadada, uma minhoca”, provocou.

O senador tucano diz acreditar que o Planalto não deveria ter dificuldades em fazer algo contra o PMDB, se tivesse uma regra uniforme de ação. “Se o governo define uma regra, essa regra tem de ser igual para todos e dentro do PMDB tem gente muito boa que quer fazer política corretamente, não há porque ter medo de punir os maus feitos”, alegou.