Derrotada pela segunda vez consecutiva na eleição para a Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT) não voltará para o Ministério do Turismo, mas seu grupo político vai lutar para encaixá-la em outro cargo, já que ela não pode desaparecer da cena política até 2010. Motivo: ninguém no PT duvida de que Marta estará na lista dos que pretendem concorrer à sucessão do governador José Serra (PSDB), daqui a dois anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Silva conversou ontem com Marta por telefone e elogiou sua atuação na campanha. Faz apenas 41 dias que Lula efetivou o sociólogo Luiz Barretto no Turismo. A pasta foi ocupada pela petista durante um ano e três meses. A decisão de Lula foi tomada para conter a gulodice dos aliados, de olho na vaga. “Eu não olho para trás e não penso em voltar”, disse Marta. “O ministério está sendo muito bem conduzido por Luiz Barretto.” Os martistas, porém, apostam no rearranjo do governo após as eleições para conseguir um posto de visibilidade para a ex-prefeita, de preferência na Esplanada.

Apesar da derrota e da alta rejeição, Marta ainda é um dos nomes mais conhecidos do PT de São Paulo, que não conseguiu projetar novas lideranças desde a crise do mensalão, em 2005. Sua indicação para disputar o Palácio dos Bandeirantes, no entanto, está longe de ser consenso, pois o fracasso da campanha servirá de munição aos adversários internos. A briga ganhará contornos mais nítidos em 2009, quando haverá a renovação das direções do PT e as correntes medirão forças. Nesse cenário, há quem defenda o lançamento de Marta para a presidência do PT.

Crise

A derrota em São Paulo abriu uma crise no PT. Sem conseguir retomar a prefeitura perdida em 2004, o partido procura culpados para o fracasso nas urnas e já anuncia forte oposição ao prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM), na tentativa de impedir o avanço do governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, em 2010. Os petistas prometem acertar as contas no encontro do Diretório Nacional, em novembro, mas uma prévia do embate ocorrerá hoje durante reunião da Executiva, em Brasília, quando será feito um balanço do desempenho do PT no segundo turno.

Dirigentes do PT dizem que a campanha de Marta foi despolitizada na primeira etapa e não conseguiu mais entrar nos eixos desde a veiculação da propaganda que questionava a vida privada de Kassab, perguntando se e era casado e tinha filhos. “Lamentavelmente, a politização do debate foi feita tarde e, ainda assim, com potencial menor do que deveria”, afirmou o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT. “O comercial (que abordava o estado civil de Kassab) obrigou a campanha a ficar na defensiva moral quando era hora de ir para a ofensiva política.”

No divã petista, muitos querem crucificar o publicitário João Santana, responsável pelo marketing de Marta. O comentário mais ouvido nos bastidores do PT é que Santana “errou a mão” no programa do horário eleitoral e não conseguiu diluir a rejeição da candidata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.