Com a contratação de uma família com 16 funcionários fantasmas a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) perdeu R$ 24 milhões. Essa é a constatação do Ministério Público, que concluiu uma investigação surgida a partir da série “Diários Secreto”, reportagens publicadas pela Gazeta do Povo e pela RPC TV em 2010.

As informações constam na denúncia apresentada à Justiça no final de junho, acusando os ex-diretores da Alep Abib Miguel, conhecido como Bibinho, José Ary Nassif e Claudio Marques da Silva de cometerem os crimes de desvio de dinheiro público e formação de quadrilha.

A família investigada é do ex-contador de Bibinho, Douglas Bastos Pequeno. Ele teria convencido os parentes a ceder documentos pessoais pra serem contratados como funcionários –
contudo, não ficariam com o dinheiro, mas teriam benefícios como plano de saúde. Duas ex-
mulheres, quatro filhas, um genro, quatro ex-cunhadas e cinco netos, totalizando 16 parentes, chegaram a constar como servidores da Assembleia.
A série de reportagens mostrou que alguns teriam “recebido” salários superiores a R$ 20 mil. Douglas Bastos Pequeno concordou em colaborar com as investigações e contou aos promotores como os desvios eram feitos. Ele morreu de problemas cardíacos em dezembro de 2014.
Bibinho – que está preso desde novembro, quando foi flagrado no aeroporto de Brasília recebendo R$ 70 mil em espécie – é réu em mais de uma dezena de ações criminais e cíveis. No mês passado, os promotores relacionaram mais de R$ 200 milhões em patrimônio que estariam no nome dele, de parentes e de supostos “laranjas”.
O ex-diretor-geral da Assembleia é acusado de comandar um esquema de funcionários fantasmas que teria desviado, no mínimo, R$ 216 milhões. No caso da família Bastos Pequeno, a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou a prática repetida 1.290 vezes de crimes. Foi o número de salários pagos indevidamente.

Integrantes colaboraram

O Ministério Público decidiu processar apenas parte da família Bastos Pequeno – vários integrantes colaboraram com as investigações e não mentiram em depoimentos. Apenas Mariles Prevedello, Gina Prevedello Pequeno e Erick Salles viraram réus na ação judicial. Se aceito pela Justiça, o processo irá correr na 8.ª Vara Criminal de Curitiba. A contratação de outros dois núcleos familiares dos aliados de Bibinho, Daor Afonso Marins de Oliveira e João Leal de Matos, já viraram ações criminais e tramitam na Justiça.
O advogado Eurolino Reis, que defende Bibinho, disse que tomou conhecimento da ação ontem e que ainda está se informando sobre o conteúdo. Ele reitera que o cliente nega as acusações. Alega também que o caso estaria prescrito. A reportagem não conseguiu localizar os advogados da família Bastos Pequeno.