O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai anunciar nesta quarta-feira, 17, Alexandre de Moraes como novo secretário de Segurança Pública, em substituição ao promotor Fernando Grella. Moraes foi secretário de Justiça no primeiro mandato de Alckmin. Há a possibilidade de Grella voltar para o Ministério Público.

Jurista com 11 anos como promotor do Ministério Público e autor de 14 livros, Moraes tem uma carreira política marcada por polêmicas. Foi uma espécie de capitão do time do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Era um supersecretário, comandando o maior orçamento da Prefeitura – R$ 5 bilhões.

Durante três anos, Moraes foi o supersecretário das pastas de Transportes e de Serviços e presidente do Serviço Funerário, da São Paulo Transporte (SPTrans) e da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET).

A carreira política começou em 2002, quando assumiu a Secretaria de Justiça do governo Alckmin. Acumulou polêmicas como presidente da Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem) naquele ano, com a demissão supostamente arbitrária de 1,6 mil funcionários concursados, que depois acabaram sendo readmitidos por via judicial.

Em 2010, durante a gestão Kassab, foi até cotado para ser o candidato do Democratas à prefeitura de São Paulo em 2012. Porém, entrou em atrito publicamente com a cúpula governista. Uma das razões para a saída de Moraes naquela época foi sua resistência ao projeto de criação da Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT).

Uma das principais bandeiras de Alckmin na época sofria resistência da capital e colocou Kassab em rota de colisão com seu padrinho político José Serra (PSDB).

Sua imagem também sofreu desgaste quando reviu os contratos da coleta de lixo em São Paulo – uma redução de 20% nos valores. A medida gerou greve dos garis e o lixo se acumulou nas ruas da capital, o que ajudou a potencializar as enchentes. Após as confusões, o ex-secretário rompeu com Kassab e deixou o DEM.

Após sua saída da vida política, Alexandre abriu um escritório de advocacia em São Paulo. Ele fará parte da cota pessoal de novos secretários de Alckmin. Os dois sempre mantiveram boa relação – o tucano consultava Moraes para assuntos jurídicos do governo.