Foto: Agência Brasil

Alckmin no Rio Grande do Sul:"Não estou incomodado".

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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou ontem comentar a informação de que o prefeito José Serra aceita concorrer à Presidência da República se contar com a unanimidade do PSDB. "Eu não faço política pelos jornais", reagiu, ao ser questionado sobre sua eventual desistência, que estaria implícita na proposta de Serra. Tema de quase todas as perguntas de uma entrevista coletiva em Torres, no Rio Grande do Sul, a disputa interna tucana só foi abordada com evasivas por Alckmin, que desviava do assunto para falar do que faria como presidente e atacar o PT, apostando no discurso externo, de campanha eleitoral.

Alckmin esteve na cidade do litoral norte gaúcho para participar do lançamento da pré-candidatura da deputada federal Yeda Crusius ao governo do Estado. Serra também era esperado para o encontro, que reuniu cerca de duas mil pessoas no salão da Sociedade Amigos Praia de Torres, mas alegou dificuldades de agenda para deixar de viajar à cidade gaúcha. Alckmin e Yeda estiveram acompanhados dos deputados federais Alberto Goldman, Silvio Torres e Júlio Redecker e do vereador de São Paulo José Aníbal.

Apesar das evasivas, Alckmin fez questão de demonstrar que conta com as bases tucanas, ao destacar que receberá apoio unânime da bancada estadual do partido em São Paulo na terça-feira, dia em que também será recebido pela bancada federal. E deu pouca importância ao jantar que Serra teve com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e o presidente do partido, Tasso Jereissati, na noite de quinta-feira. Lembrou que também tinha encontro previsto com a cúpula partidária, que foi transferido por falta de datas em sua agenda, mas que será remarcado para os próximos dias. "Não estou incomodado", ressaltou. "Política é conversa."

A escolha, salientou Alckmin, deverá ocorrer em meio a muitas conversações. O governador, que já chegou a defender prévias, não ofereceu uma fórmula. "Tanto faz, o certo é que vou disputar", comentou, admitindo que a decisão pode ficar com a direção do PSDB, "que vai ouvir o sentimento do partido".

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Em discurso que vale tanto para a escolha interna quanto para uma corrida eleitoral, Alckmin lembrou que tem a experiência de 12 anos de administração em São Paulo, como vice de Mário Covas e como governador. Destacou os altos índices de aprovação que tem. E disse que o eleitor tem duas grandes exigências, a ética e a qualidade da proposta. "O novo conceito de ética é eficiência e botar ladrão na cadeia", proclamou. "O governo do PT não é que não merece mais um ano, não merece mais um dia", provocou, afirmando que vai crescer nas pesquisas quando sua candidatura estiver consolidada e a campanha começar.