O corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, preso em Brasília, disse nesta quarta-feira, 16, que ainda tem o que entregar sobre o presidente Michel Temer em sua delação premiada. Ao sair de uma audiência da 10ª Vara da Justiça Federal, ele foi questionado por jornalistas se resta muito o que falar sobre o presidente nos depoimentos de colaboração que vem prestando ao Ministério Público Federal (MPF). “Tem, tem. Ainda tem”, respondeu, enquanto era escoltado por policiais de volta à Penitenciária da Papuda.

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Funaro não falou sobre o conteúdo de sua delação, mas contou que a negociação de um acordo com os procuradores ainda não chegou ao fim, pois há impasse sobre os benefícios a serem concedidos a ele.

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O corretor afirmou que há uma “diferença grande” entre o tempo de prisão que os investigadores sugerem que ele cumpra e o que a defesa dele propõe. Declarou também que há divergência quanto ao valor da multa a ser paga por ele.

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Funaro passou as últimas semanas na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, prestando depoimentos ao MPF. Segundo fontes que acompanham as tratativas, as informações apresentadas por ele devem reforçar a segunda denúncia a ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer.

O corretor acompanhou audiência na Justiça Federal na condição de réu na ação penal que apura esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal. Ele é acusado de atuar em parceria com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na cobrança de propina de grandes empresas que tinham interesse em receber recursos do banco.

Na quarta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, prestou depoimento, na condição de testemunha. O advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz, disse à reportagem que não iria comentar as declarações de Funaro.