Mais um produtor rural que teve a propriedade invadida por integrantes do MST depôs ontem na CPI da Terra na Assembléia Legislativa. Alexandre Yoshihide Maehava relatou aos deputados como a fazenda Santa Terezinha, em Paranapoema, foi ocupada em agosto do ano passado e, apesar de quatro ações de reintegração de posse concedidas pela Justiça, continua até agora nas mãos dos invasores.

Segundo ele, a Polícia Militar chegou a agendar a desocupação para o dia 20 de agosto. Solicitou que ele providenciasse ônibus e caminhões para o transporte dos sem-terra, o que lhe custou R$ 10 mil. Mas a operação foi suspensa na noite do dia 19, de acordo com explicação que recebeu da PM, atendendo ordem do governador. Os cerca de 800 policiais que já estavam a caminho do local foram dispensados. Como não tem outra fonte de renda, ele agora estuda o recurso extremo de pedir intervenção no Estado para exigir o cumprimento da ordem judicial.

Prejuízos

A fazenda Santa Terezinha, com 475 alqueires destinados à agropecuária, foi adquirida pelo pai de Maehava, imigrante japonês, ainda na década de 70. No momento da invasão, abrigava 1.130 cabeças de gado. A metade da área, arrendada a outros produtores rurais em regime de meação, estava pronta para receber o plantio de milho e soja.

Por meio de oficial de Justiça, Maehava conseguiu retirar o rebanho, com 72 cabeças a menos. A safrinha de milho, em fase de colheita, também foi retirada, mas parte do produto foi reclamada pelos invasores.

Ele repassou à CPI cópia dos laudos do Incra que atestam a produtividade da fazenda, e contou ter informações de moradores da região de que cinco vereadores de Inajá, Jardim Olinda e Paranapoema integram o movimento.

Na próxima audiência pública, marcada para quarta-feira (dia 19), a comissão vai ouvir Marli Brambilla, dirigente de cooperativa agrícola de Querência do Norte. Também tentará trazer o ex-coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio.