Depois de Tasso Jereissati (PSDB), ontem foi a vez de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), aportar em Curitiba para apoiar o correligionário Beto Richa na disputa pela Prefeitura.

Acompanhado pelo senador Eduardo Azeredo, Aécio destacou que a eventual vitória do tucano na capital paranaense terá repercussões que extrapolam as fronteiras do Estado, apontou semelhanças entre a sua trajetória e a de Beto – “aprendemos em casa conceitos e princípios que orientam nossa carreira e sabemos o quanto é importante a formação de cada um de nós” – e evitou falar no processo sucessório federal por considerar que seria precoce e “muito ruim para o país”.

O governador mineiro não quis fazer uma relação direta entre os desempenhos eleitorais nas principais capitais brasileiras e o governo do presidente Lula. Para ele, o momento evidencia “o interesse do PT prevalecendo sobre o interesse do país e do governo”. Em sua opinião, “jamais houve um envolvimento tão grande do governo federal em campanhas municipais. Esse equívoco custará caro ao PT lá na frente, porque o envolvimento excessivo e inadequado deixará seqüelas”. E apontou como exemplo a paralisação de votações importantes no Congresso, por obstrução da pauta e desentendimentos entre os próprios integrantes da base de sustentação do governo: “Sem dúvida, isso demandará uma grande e profunda costura política para retomar o ritmo das votações”.

Limites

Indagado se não era incoerente criticar a participação do presidente e membros da alta cúpula da administração federal na campanha enquanto ele próprio estava longe de seu estado, em horário de expediente, engajado na campanha tucana, Aécio Neves rebateu de pronto: “Venho em avião fretado pelo meu partido, em momento apropriado e sem fazer uso da estrutura do cargo. Trabalho aos sábados e domingos, portanto não estou prejudicando as atividades administrativas”.

Ele considera que o PSDB tem sido exemplar nesse caso, ao contrário do PT, “que confunde público e privado, certo e errado, gerando constrangimentos para o presidente da República. Presidente e membros do governo, como homens de partido e cidadãos, têm todo o direito de participar da campanha, desde que nos limites estabelecidos pela lei”.

O governador mineiro acredita que 2005 será um ano fundamental para avançar no ciclo das reformas que estão em discussão no Congresso e se mostrou disposto a ajudar “a restabelecer as pontes dinamitadas pelo PT”. E acrescentou que a opção feita pelo partido de Lula com relação à política econômica determina eleições futuras onde o caráter ideológico será menos importante que a competência: “As próximas eleições serão decididas pelo critério da competência, e o PSDB terá o que mostrar. Se é para fazer desse jeito, nós fazemos melhor”.