Advogados de réus do mensalão defenderam, em argumentos encaminhados nesta segunda-feira, 9, ao Supremo Tribunal Federal, a aceitação dos chamados embargos infringentes e, por consequência, novo julgamento para 11 dos 25 condenados. Os advogados alegam que se levada à risca a tese encampada pelo ministro Joaquim Barbosa, nem mesmo os embargos de declaração julgados até a semana passada deveriam ser aceitos.

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Nos memoriais, os advogados de Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios do operador do esquema, Marcos Valério, alegam que a lei mencionada por Barbosa para rejeitar a existência dos embargos infringentes, também não prevê a existência dos embargos de declaração. O julgamento desses recursos nas últimas oito sessões mostrariam que a lei não extinguiu os recursos que estão previstos no regimento interno do Supremo.

A discussão sobre a existência dos embargos infringentes será encerrada nesta quarta-feira, 11, quando o tribunal julgará em definitivo o caso. Joaquim Barbosa alegou, em seu voto, que a Lei 8038, de 1990, extinguiu esse tipo de recurso. Os advogados afirmam que o Regimento Interno do Supremo tem força de lei e prevê a possibilidade de condenados pelo tribunal recorram da decisão quando houver pelo menos quatro votos pela absolvição.

Além disso, os advogados afirmam que a lei determina que, terminada a instrução, o tribunal julgará o processo “na forma determinada pelo regimento interno”. Portanto, a lei, ao contrário da opinião de Barbosa, não teria tirado da legislação os embargos infringentes.

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Advogado de Cristiano Paz, Castellar Modesto Neto menciona, inclusive, voto antigo proferido por Luiz Fux em favor da existência do recurso. Fux é voto dado como certo contra a admissão dos recursos, mas em julgamento ocorrido no ano passado, afirmou o contrário.

“No âmbito do Supremo Tribunal Federal a matéria está disciplinada no regimento interno, admitindo-se os infringentes como via adequada para impugnar decisão condenatória, não unânime, proferida em ação penal”, afirmou Fux na decisão do ano passado.

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Além dos advogados dos dois condenados, as defesas de outros réus enviarão memoriais até esta terça-feira, 10. O prazo foi dado pelo tribunal, por sugestão do ministro Luís Roberto Barroso, para que todos os advogados tivessem oportunidade de se manifestar sobre o assunto.