O advogado José Domingos Scarpelini, ex-candidato a deputado federal pelo PSB, protocolou, ontem, uma representação no Ministério Público Federal para que seja impugnada a diplomação do senador eleito Roberto Requião (PMDB), ex-governador do Paraná.

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Scarpelini sustenta que Requião deve ser enquadrado na lei do “ficha limpa”, por conta da condenação por órgão colegiado por abuso de poder no caso do uso da Rádio e Televisão Educativa para autopromoção e ataques a adversários.

“Encaminhei a representação à procuradora da República Lélia Sanches, que é a autora da ação civil pública que resultou na condenação do Requião, para que ela encampe uma impugnação por parte do Ministério Público Eleitoral”, disse Scarpelini. “Ele é ficha suja, não pode assumir o mandato”, prosseguiu.

A condenação a que Scarpelini se refere ocorreu em março de 2008, quando a 4.ª Turma do Tribunal Regional Federal determinou a Requião o pagamento de multas pela “utilização dos meios de comunicação; desvio de finalidade e abuso de poder” por conta das acusações e agressões verbais que fazia durante a Escola de Governo, reunião semanal do secretariado transmitida ao vivo pela Rádio e Televisão Educativa.

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“Foram mais de sete anos que ele se serviu da TV Educativa, como se sua fosse, para intimidar e desmoralizar adversários, autopromover-se, gerar factoides de toda ordem, subordiná-la a seus projetos políticos eleitorais, de poder, que se evidencia em sua decisiva influência no processo eleitora”, sustenta Scarpelini que pede a inelegibilidade de Requião por oito anos.

Através da assessoria de imprensa, o Ministério Público Federal informou que, protocolada ontem, a representação está em trâmite interno e sequer chegou às mãos da procuradora Lélia Sanches. Assim, o MPF ainda não irá se pronunciar sobre a procedência ou não do pedido de impugnação.

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Ex-deputado, aposentado, Scarpelini, que não conseguiu voltar para a Assembleia nas eleições deste ano, decidiu jogar duro contra a família Requião. O ex-deputado foi responsável, em julho, pela denúncia do roubo de dólares guardados na casa do ex-superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião.

Segundo a denúncia, Eduardo teria sido roubado por uma empregada, que descobriu que o irmão do ex-governador guardava centenas de milhares de dólares em um armário em sua residência. De vítima, Eduardo passou a ser investigado, já que, até agora, não explicou a origem do dinheiro que guardava.