A Associação Comercial do Paraná irá entregar ao governador Beto Richa (PSDB) um documento manifestando posição contrária à prorrogação dos contratos com as concessionárias do pedágio no estado. O vice-coordenador das Câmaras Setoriais da entidade, Paulo Brunel, disse que a proposta de estender os contratos para além de 2022 não é aceita pelo setor, que vai pedir ao governador que retire essa possibilidade das negociações que estão sendo feitas com as empresas desde o início do ano.

Em reunião realizada na terça-feira, 12, a entidade e representantes de outras associações decidiram pedir audiência com Beto para deixar claro que não vêem vantagens na redução de preços de tarifas em troca da ampliação da vigência do contrato, celebrado em 1998.

De acordo com Brunel, a proposta que está na mesa de negociações prevê quinze anos a mais de contrato em troca de um corte de 30% nas tarifas. “Essa é a informação que temos e que é inaceitável porque se trata da tarifa mais cara do país e não vemos nenhuma outra solução a não ser terminar esse contrato e fazer uma nova licitação”, afirmou o representante da Associação.

Da reunião de terça-feira participaram representantes do chamado grupo G8, constituído por entidades patronais como a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap); Federação do Comércio do Paraná (Fecomercio); Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep); Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar); Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep); Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) e Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas (Fampepar). O representante da ACP informou que estas entidades estão discutindo se assinarão o documento.

Transferência

A preocupação dos empresários é que os custos das tarifas de pedágio são repassados aos produtos, provocando prejuízos ao setor. Os cálculos comparativos com outros estados mostram a desproporcionalidade dos custos do pedágio no Paraná, afirmou Brunel. O exemplo citado pelo empresário é o valor gasto por um caminhão que transporta uma carga por um trecho de 720 quilômetros no Paraná e o custo desta mesma viagem em outro estado.

Entre Foz do Iguaçu a Paranaguá, este caminhão R$ 1,3 mil em óleo diesel e R$ 840 em pedágio. Se esse mesmo caminhão percorrer os mesmos 720 quilômetros entre São Paulo e Florianópolis, terá a mesma despesa com óleo diesel, mas o gasto com pedágio cai para R$ 265.

“Chegamos a um ponto insustentável. Todos esses custos são repassados aos nossos produtos e afeta toda a sociedade”, afirmou o representante da Associação Comercial do Paraná.