O diretor da ABCR/PR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias -Seccional Paraná), João Cheminazzo, disse ontem que as empresas que operam no Estado estão prontas para conversar com o governo, mas afirmou que a redução da tarifa do pedágio não ocorre pela simples vontade das empresas. “Temos obrigações e financiamentos, onde a garantia é a própria arrecadação tarifária”, afirmou o diretor, referindo-se aos empréstimos que as empresas fizeram para montar a estrutura necessária à cobrança do pedágio e garantir a execução das obras iniciais nas rodovias.

Cheminazzo afirmou que até ontem as empresas ainda não haviam sido convocadas oficialmente para a reunião com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, na próxima semana, na qual o governo do Estado deve dar um ultimato às empresas. Anteontem, Lacerda anunciou que pretende ter um primeiro encontro com todas as concessionárias até o final da próxima semana.

O diretor da ABCR/PR disse que as empresas já investiram mais de R$ 920 milhões nos cinco anos de cobrança do pedágio no Paraná e que qualquer alteração que possa vir a ser feita nos contratos tem que levar em conta estes números. Ele relativizou a ameaça do governo de dar o mesmo tratamento aplicado à Sanepar no caso do pedágio. Na Sanepar, o governador Roberto Requião revogou por decreto o acordo de acionistas entre a empresa e seus sócios privados – o Consórcio Dominó.

Segundo ele, uma decisão unilateral do governo seria inviável porque, no caso dos contratos do pedágio, o governo não é o único signatário. De acordo com o diretor da ABCR/PR, além do governo e do DER, também fazem parte do contrato a União, o Ministério dos Transportes e a Agência Reguladora dos Transportes. “Para que o governo mude o contrato, terá que ter a anuência de todos estes órgãos”, disse ele.