Cerca de 400 policiais esperam a
oportunidade de serem treinados.

Uma favela cenográfica foi utilizada nesta quinta-feira pelo Grupo Tático Integrado de Repressões Especiais (Tigre) para treinar policiais do Paraná e de vários outros Estados. O objetivo foi criar novos grupos de elite anti-seqüestro no país. Desde segunda-feira, os policiais participam de um treinamento intensivo na Escola Superior da Polícia Civil do Paraná, com sede em Curitiba.

Tido como um dos melhores grupos anti-seqüestro do Brasil, o Tigre recebeu determinação do governo federal, através do Ministério da Justiça, para ensinar as táticas desenvolvidas e aplicadas pelos paranaenses para policiais de outros Estados.
“Este é o reconhecimento pelo belo trabalho dos policiais do grupo da elite paranaense”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Dellazeri. “No Paraná, conseguimos praticamente reduzir a zero os seqüestros e, mesmo assim, quando acontecem, temos 100% de sucesso na solução, prisão dos criminosos e resgate dos reféns sem ferimentos”.

Durante o primeiro semestre deste ano, 14 casos de seqüestro foram registrados pela polícia do Paraná. Todos foram solucionados pelo grupo de elite paranaense, que ainda colabora na elucidação de seqüestros em outros Estados.

Desde que o governador Roberto Requião assumiu o governo do Paraná, o treinamento é feito por iniciativa da própria Secretaria da Segurança e as vagas que sobram são cedidas a outros Estados. Os policiais do Tigre usam do seu tempo de folga para ensinar os outros. “Desta forma promovemos um intercâmbio entre as polícias de vários lugares, pois também treinamos em locais como Rio de Janeiro e São Paulo”, explica o delegado titular do Tigre, Riad Braga Farhat.

No início do curso, 24 policiais vindos do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraná estavam matriculados, mas três já foram reprovados nos testes de resistência física e tiveram que voltar para casa. Para a Polícia Civil do Paraná, este treinamento é requisito essencial para que seus policiais possam fazer parte do Grupo Tigre. “Trabalhamos com situações delicadas, com pessoas correndo risco de vida, por isto nossos policiais precisam ser extremamente rápidos e precisos”, explica o delegado.

Favela

As aulas acontecem na Escola Superior da Polícia Civil, em Curitiba e foram realizadas em um campo de treinamento montado em Almirante Tamandaré, onde treinaram tiro em uma favela cenográfica. Os policiais aprenderam técnicas de abordagem nos barracos, além de terem participado de uma emboscada simulada em um veículo. “O principal objetivo desta etapa é o tiro certeiro. Não precisamos de policiais que atirem até acertar, mas de policiais que atirarem uma só vez e acertem, pois um disparo mal calculado, em meio a uma favela, pode perfurar diversos barracos e machucar pessoas inocentes”, explica Farhat.

Os treinamentos continuam até o começo de dezembro. Os alunos ainda aprenderão técnicas de combate em rapel e enfrentamentos em locais fechados, o que envolve o treinamento para se entrar em um cativeiro e resgatar o refém. Além disso, os policiais ainda terão que enfrentar quatro dias em meio à Mata Atlântica da Serra do Mar, sem poder usar barracas para dormir ou qualquer outra infra-estrutura. “A idéia é testar ao máximo a resistência deles, e ensinar táticas de enfrentamento dentro de florestas, porque futuramente encontrarão situações assim durante as investigações e resgate de vítimas de seqüestro”, justifica.

Um dos destaques das aulas teóricas é a negociação em seqüestros, que será ministrada pelo especialista em negociações e gerenciamento de crises da Polícia Federal, Ângelo Salignac. Ele participou das negociações no seqüestro do irmão de Zezé di Camargo e Luciano, o compositor Wellington Camargo em 1999 e é especializado em negociações em rebeliões de cadeias, quando há reféns. “Salignac é considerado um dos melhores do Brasil e é muito requisitado para resolver os conflitos com seqüestradores”, explica.

De acordo com o delegado, cerca de 400 policiais esperam na fila a oportunidade de serem treinados. “Para nós é uma honra comandar estes treinamentos. É o reconhecimento do nosso esforço e profissionalismo”, diz o delegado. Dois policiais civis do Paraná também estão sendo treinados para reforçar a equipe do Grupo Tigre. “Depois das aulas eles já poderão ir para as ruas incrementando ainda mais a nossa equipe”, explica Farhat. As aulas seguem até o dia 06 de dezembro e ao final do curso os participantes receberão um certificado.

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