O diretor de Comunicação da Polícia Civil, Miguel Lucena, afirma que o esquema de fraude nos concursos públicos pode estar ligado ao crime organizado em uma estratégia de ocupar cargos importantes da administração federal. "Nós temos informações fortes de que há uma estratégia do crime organizado para aprovar candidatos em concursos para essas áreas sensíveis", afirmou em entrevista à Rádio Nacional AM.

As investigações policiais apuram fraude no concurso realizado no último domingo (22) para agente penitenciário federal. "Esse concurso trata de uma área bastante atraente ao crime. São os profissionais que vão tomar conta dos presídios federais, que serão construídos pelo governo federal para abrigar criminosos de alta periculosidade, como Fernandinho Beira-Mar e outros do Primeiro Comando da Capital".

O suposto chefe da quadrilha, Hélio Ortiz, se apresentou à Polícia Civil na tarde deontem. Ortiz é técnico do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e, segundo a polícia, ele deve ser interrogado novamente hoje.

Mais de 80 pessoas já foram presas por participarem ou se beneficiarem do esquema que garantia aprovação em concursos públicos. Para Lucena, essa fraude investigada pelas polícias Federal e Civil no Distrito Federal é "apenas a ponta de um novelo que ao final de todas as investigações vai revelar um esquema muito poderoso, muito grande de fraude em concursos públicos". As investigações indicam que a quadrilha atuava em vários estados desde 1996.

Lucena diz ainda que as investigações devem ser encerradas nos próximos dias. Em seguida, o inquérito policial será encaminhado à Justiça.