Policiais japoneses agrediram um torcedor brasileiro e reprimiram todos os outros que tentaram se aproximar do ônibus da seleção, na chegada dos jogadores no hotel logo após a partida.

Visivelmente assustados com a indisciplina no país da disciplina  os policiais controlavam o ímpeto da torcida à base da força com empurrões.

  Na chegada do ônibus ao Kobe New Otoni Hotel, uma multidão ensandecida e histérica de brasileiros e japoneses avançou sobre o cordão de isolamento. O técnico Felipão acenou feliz para os torcedores e o lateral Cafu chegou a se aproximar da torcida. Foi o bastante para que muitos quisessem se aproximar ainda mais dos jogadores. Nesse instante, um torcedor tentou furar o bloqueio e foi cercado por cinco policiais.

  ?É um país de Primeiro Mundo, eles não precisavam ter batido tanto nele?, criticou o dekassegui Helio Ohashi, de 28 anos, que tentou defender o agredido. ?Não deveriam ter feito isso, só estávamos acenando para os jogadores?, condenou Geisel Hara, de 29. A brasileira Lucia Sekijima de 23, recebeu uma cotovelada de um guarda na hora do tumulto. ?Estão nos confundindo com os hooligans.? Os policiais japoneses precisam entender que futebol para brasileiro representa o antes, o durante e o depois. Uma partida não é só uma partida. Os guardas, contudo, preferiram dispersar a multidão. ?Vão embora, eles já subiram?  ?O que vocês continuam fazendo aqui??, ?Deixem a passagem livre? eram algumas das frases que os policiais gritavam no megafone.

  Cerca de 200 policiais participaram da ação, segundo um comandante que não quis informar o nome. De acordo com ele, a medida visava a proteção dos jogadores. O nome do torcedor brasileiro agredido e levado pelos policiais não foi informado. Nem a imprensa foi poupada. O fotógrafo da Agência Estado Vidal Cavalcante registrava a chegada do Brasil e o tumulto no hotel, quando dois policiais tentaram lhe tirar do local. O coronel Castelo Branco, responsável pela segurança da seleção, evitou o incidente.