A Polícia Federal e o Ministério Público vão oferecer o benefício da delação premiada, com redução de pena, ao empresário Zuleido Soares Veras, dono da construtora Gautama, em troca de informações que ajudem a desvendar toda a rede de corrupção investigada pela Operação Navalha.

Desde quinta-feira essa operação prendeu 47 pessoas. Seis delas já tiveram a prisão relaxada – entre os quais José Reinaldo Tavares, o ex-governador do Maranhão e hoje inimigo de José Sarney. O esquema movimentou R$ 170 milhões em três anos, segundo a PF. A máfia das obras é acusada de desvio de verbas públicas, por meio de fraudes em licitações e liberação de verbas.

Detentor de informações valiosas, Zuleido é um dos detidos que devem permanecer mais tempo preso, para evitar que, solto, destrua provas e prejudique as investigações.

A estratégia de negociar benefícios jurídicos com cabeças de quadrilhas funcionou nos casos dos réus Luiz Antônio Vedoin, do inquérito das sanguessugas, que investigou esquema de compra de ambulâncias superfaturadas, e Marcos Valério, operador do escândalo do mensalão. A iniciativa funcionou também com Maurício Marinho, o ex-chefe do Departamento de Administração dos Correios, flagrado em vídeo enquanto embolsava propina.