Polícia Federal culpa governador de Rondônia por nomear acusado de fraude

Relatório da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal em Rondônia atribui ao governador Ivo Cassol (PPS)responsabilidade pela articulação que levou à nomeação do conselheiro Edilson de Souza Silva para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Edilson é um dos presos na Operação Dominó, que investiga corrupção nos três poderes locais e desvio de R$ 70 milhões do Tesouro estadual. "A ação do governador do Estado foi decisiva para a nomeação de Edilson", destaca o documento de 649 páginas, que lança suspeita sobre Cassol.

Segundo a PF, o ingresso de Edilson no TCE em 2005 "só se tornou viável com a aposentadoria do conselheiro Amadeu Machado, articulada por ele (governador)". O relatório, entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), sustenta que "o conselheiro Edilson é representante do grupo criminoso no TCE". O conselheiro que caiu na Dominó atuava como advogado do deputado Carlão de Oliveira, presidente da Assembléia, também capturado pela PF.

A PF afirma que o conselheiro do TCE destacou-se na intermediação das negociações entre o Legislativo, o TCE, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, "buscando satisfação de interesses pessoais e classistas de um lado, e de outro lado a satisfação de interesses do deputado Carlão perante as instituições públicas". O deputado faz parte do núcleo de "influência estatal" e do núcleo de "obtenção de ganhos econômicos".

À página 437 do relatório federal são apontadas pessoas – inclusive o governador Cassol – que se empenharam em obter a indicação de Edilson para a Corte de contas. "A nomeação (de Edilson) decorreu de uma articulação envolvendo o deputado Carlão e o governador Ivo Cassol", afirma a PF, amparada em interceptações telefônicas. " Os diálogos monitorados sugerem que não houve sequer sessão parlamentar na Assembléia de Rondônia para indicação do futuro conselheiro, apenas uma formalização documental.

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