O serviço de inteligência da Polícia Militar mapeou 16 traficantes de droga ligados ao primeiro Comando da Capital (PCC) que atuam no Estado. Todos fugiram de presídios de São Paulo. No mesmo levantamento, detectou-se que os principais traficantes ligados à facção foram presos, entre eles dois integrantes da cúpula.

Trata-se de gente como Fabrício Patrício dos Santos, o Buiú, ou de Sônia Aparecida Rossi, a Maria do Pó. O primeiro é o traficante de drogas acusado de arrancar os olhos de um desafeto e depois matá-lo com água fervente na Baixada Santista. Maria do Pó é a mulher que foi presa com 300 quilos de cocaína que, depois, sumiram misteriosamente do Instituto Médico-Legal de Campinas.

O primeiro fugiu no dia 6 de agosto por um túnel. Maria do Pó escapou em março pela porta da frente do presídio. Quando a notícia se espalhou pelo sistema prisional, detentos em todo o Estado começaram a cantar músicas em homenagem ao PCC. Maria sustenta pontos de drogas em 20 favelas de São Paulo e é a maior atacadista de droga da região de Campinas.

O trabalho feito pela PM é parte de uma face ainda pouco conhecida do sistema Fotocrim: o de mapeamento do crime organizado. O Fotocrim armazena cerca de 295 mil fichas com fotos e dados pessoais de criminosos do Estado. O sistema já foi usado para mapear a cúpula do PCC com seus 154 integrantes dos 1º, 2º e 3º escalões. Conhecendo o inimigo e suas relações dentro da organização, a polícia espera poder direcionar suas ações de forma mais eficiente contra a facção.

A polícia já sabe que o tráfico de drogas se tornou a principal atividade do PCC, que teria quase o monopólio da venda de cocaína dentro dos presídios paulistas. Só no sistema prisional, a facção negocia 130 quilos da droga por mês, abastecendo as cadeias com remessas de 1 a 10 quilos do entorpecente, conforme documentação apreendida pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). É por isso que até o líder máximo da facção, Marcos Camacho, o Marcola, foi denunciado por tráfico de drogas e associação para o tráfico.