Polícia Civil do RJ pode ser investigada, diz subsecretário

O subsecretário de Segurança do Rio, delegado federal Márcio Derene, admitiu que a Polícia Civil pode sofrer uma devassa nos moldes da que está em curso na Superintendência da Polícia Federal no Estado. Ele disse que a PF está "cortando na própria carne" e demonstrou que a nova gestão pretende fazer o mesmo na Policia Civil do Rio, abalada por denúncias de corrupção. Policiais civis foram acusados recentemente de envolvimento com as máfias dos caça-níqueis. Entre os investigados está até o ex-chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, eleito deputado estadual.

Ao dar posse à nova equipe de inteligência da Polícia Civil hoje Derene chamou a atenção para a presença do novo corregedor unificado das polícias do Rio, desembargador Ricardo Leite, e do novo ouvidor da Polícia, procurador de Justiça aposentado Luiz Sérgio Wigderowitz. "Não é por acaso que estas pessoas estão presentes. É para que todos saibam que a Secretaria de Segurança pretende coordenar os trabalhos da Polícia Civil.

Além de Derene, outros policiais federais estão ocupando cargos na estrutura da Secretaria de Segurança. No entanto, o subsecretário deixou claro que a intenção não é fazer uma intervenção na Polícia Civil ou na Secretaria de Segurança Pública. "Queremos agregar, ajudar na forma de atuação , traçar diretrizes básicas no mesmo molde das operações que a Polícia Federal vem fazendo há três anos", afirmou.

O que ficou claro, principalmente depois que ele anunciou o repasse para a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) de equipamentos que a Secretaria Nacional de Segurança está enviando ao Rio, é que a estrutura de inteligência da polícia será usada também para investigar os próprios policiais civis. Prática parecida tem sido adotada por órgãos de inteligência da Polícia Federal, como a chamada Missão Suporte, que vinha sendo chefiada pelo novo secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, com que Derene trabalhou.

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