A Polícia Civil de Laranjeiras do Sul, Sudoeste do Paraná, apreendeu doze caminhões carregados com madeira retirada ilegalmente de uma área de reflorestamento pertencente ao Incra, no município de Rio Bonito do Iguaçu, nesta quarta-feira (08). A polícia paranaense, em parceria com o Ministério Público Estadual e Polícia Federal, investigava o roubo de madeiras que seria praticado por um grupo sem-terra há dois meses. ?Vamos coibir todo e qualquer tipo de crime. Isso é intolerável principalmente porque é um crime ambiental cometido por quem quer viver da terra?, disse o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.

Os policiais abordaram os doze caminhões carregados com araucária e pinus. Os caminhoneiros tentaram fugir, houve troca de tiros, nove foram presos e outros três estão sendo procurados. De acordo com o delegado titular de Laranjeiras, Lusson´Nar Lino Lopes, um grupo dissidente do MST, com cerca de oitenta pessoas, retirava a madeira de uma área de reflorestamento da empresa Araupel e que fora comprada pelo Incra para desapropriação. ?Começamos a investigar o caso há dois meses, quando o Incra denunciou o roubo. Eles invadiram a área e, dos mil hectares de reflorestamento, hoje deve existir menos da metade?, contou Lopes.

Segundo o delegado, o mesmo grupo é suspeito de praticar outros crimes. ?Eles formaram uma espécie de gueto do crime, onde traficam drogas, compram armas e realizam até desmanche de caminhões roubados?, garante o delegado. De acordo com as investigações da polícia, a madeira retirada da propriedade era vendida para financiar a compra de armas de fogo e, assim, equipar o grupo para outros crimes.

Lopes explicou que, logo no começo das investigações, a Polícia Civil realizou no local da invasão várias operações para tentar encontrar armas ou provas de crimes. Há cerca de um mês, os policiais conseguiram prender sete integrantes do grupo, em flagrante, por receptação e furto de madeira. Treze termos circunstanciados foram lavrados por crime ambiental. Na ocasião, quatro caminhões carregados com madeira retirada ilegalmente, que estavam saindo do acampamento foram apreendidos.

Prisões

Nesta quarta-feira (08), foram presos os caminhoneiros Gilmar Bueno, 29 anos, José Luiz Telles Zanella, 39, Celso Romanzini, 41, José Amilton Nascimento, 43, Sadi Luiz Kuntzler, 51, Arnaldo Rochetschel, 44, Julinho Rosanski Zatt, 42, Veraldo Zago, 50, e Waldemar Miranda da Silva, 50, que dirigiam os caminhões com madeira ilegal. Eles vão responder por receptação de madeira e porte ilegal de arma. Conforme apurado pelo delegado, eles seriam funcionários de madeireiras instaladas nas cidades de Cascavel, Chopinzinho e Francisco Beltrão, localizados nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.

Na tarde desta quinta-feira (09), os policiais fazem a retirada do restante da madeira, que foi encontrada cortada e já pronta para embarque, dentro do acampamento. ?Ainda existe o equivalente a vinte carretas carregadas de madeira no acampamento?, explicou o delegado. Segundo ele, o Incra, proprietário atual das terras, ajudará na retirada, fornecendo infra-estrutura. ?Serão vários dias para conseguirmos retirar tudo?, disse.

Desapropriação

A terra invadida por este grupo de sem-terra pertencia à empresa Araupel e, hoje, é de propriedade do Incra. Os planos do Governo Federal são o de desapropriar a área para dividi-la em lotes e transformar os locais legalizados em assentamento. Para isto, pedirá à Justiça Federal a reintegração de posse da área e a Polícia Federal fará a desocupação.

Há a previsão de serem deflagradas outras operações para acabar com a quadrilha que atua em Rio Bonito Iguaçu. A Polícia Federal de Guarapuava tomará as medidas legais para responsabilizar outras pessoas envolvidas.