Polêmica sobre cotas representa avanço, diz Lula

Ao abrir hoje a II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que existe uma enorme polêmica no País em torno do Estatuto da Igualdade Racial, mas afirmou que a discussão é boa e fruto de um direito conquistado. Para uma platéia de duas mil pessoas de várias partes do mundo, Lula afirmou que seu governo iniciou projetos com a intenção de reduzir a desigualdade.

"Todos nós temos uma dívida a pagar. Criamos a Secretaria Especial da Igualdade Racial, com o papel de ministro de Estado, para criar as possibilidades de termos alguns avanços, o que não acontece com a facilidade que gostaríamos. Às vezes demora muito para que as coisas aconteçam", afirmou. Lula citou o programa Universidade para Todos como uma das ações que funcionaram. Lembrou que, dos 203 mil alunos já selecionados para as bolsas, 63 mil são afrodescendentes.

Lula citou ainda o projeto de cotas nas universidades federais, que reserva metade das vagas para alunos de escolas públicas e, dentro dessas, parte para negros, de acordo com a distribuição de etnias em cada Estado. O presidente lembrou que há um duro debate sobre o assunto. "A possibilidade de polemizar sobre essas questões não é uma coisa ruim, é uma conquista que os negros tiveram no nosso país", afirmou, falando das cotas nas universidades e também do Estatuto, que prevê a criação de vagas específicas no serviço público e em empresas que prestam serviços ao governo federal.

Na semana passada, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, informou que o governo queria debater mais o projeto do Estatuto, aprovado com seu apoio no Senado e agora esperando votação na Câmara. Tarso informou que o governo queria rever alguns pontos e pretendia defender mais cotas sociais – que levassem em conta a renda da pessoa – do que puramente raciais.

Apesar dessa posição de governo, Lula evitou entrar em detalhes. O presidente defendeu, mais uma vez, sua política de aproximação econômica com a África. "Certamente, tenho consciência de que não iremos, em uma ou duas décadas, resolver os problemas que nos foram criados durante tantos e tantos séculos", afirmou Lula.

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