O Plenário rejeitou hoje, por 238 votos contra, 113 favoráveis e 6 abstenções (358 votantes), requerimento do PSDB para a inclusão, na pauta de votações, de proposta de convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. O PSDB quer convocar o ministro para explicar, no plenário da Câmara, denúncia de que teria recebido pagamento de honorários em uma conta aberta no exterior.

O requerimento se baseia em notícia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no último dia 12. O jornal traz entrevista do empresário Ivo Morganti Junior, que afirma ter pago de 4 milhões de dólares (R$ 9,3 milhões) relativos a honorários de Bastos por um serviço prestado em 1993, em uma conta aberta pelo ministro no exterior. "Há uma irregularidade, pois o ministro é chefe da Polícia Federal (PF) e ao mesmo tempo investigado", argumentou o líder do PSDB, deputado Jutahy Junior (BA). "Não nos resta nenhuma alternativa a não ser solicitar o afastamento do ministro Márcio Thomaz Bastos do Ministério da Justiça", defendeu.

Thomaz Bastos já afirmou, por meio de sua assessoria, que o depósito foi legal e foram pagos impostos sobre ele.

Tentativa de retaliação

Por outro lado, o líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), disse que o requerimento é uma tentativa de retaliar o ministro, em razão de laudo da Polícia Federal que atesta a autenticidade da lista de Furnas. A lista implicaria políticos da oposição com o recebimento irregular de recursos por parte da estatal. Para a oposição, Bastos estaria por trás da divulgação do laudo.

"Eu não sei se a lista de Furnas é verdadeira ou falsa, mas ela tem que ser investigada de forma republicana", argumentou Henrique Fontana. "Eu nem estou fazendo aqui o estardalhaço que o PFL e o PSDB fazem diante de qualquer suspeita contra algum deputado do PT. Eu estou dizendo que um laudo técnico da Polícia Federal, portanto isento, definiu como verdadeiro aquele documento. E é um documento gravíssimo, porque inclui mais de 150 pessoas que teriam recebido dinheiro de caixa dois para fazer suas campanhas."

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), argumentou que o PSDB não protocolou representação diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Ministério Público, pois o partido seria desmoralizado, já que a denúncia, como afirmou, não tem fundamento.