Plenário da Câmara suspende criação de CPI da Aviação Civil

O plenário da Câmara suspendeu nesta quinta-feira (8), com 261 votos a favor e 46 contra, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a crise na aviação civil. A CPI fica suspensa até que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decida recurso apresentado pelo líder do PT, deputado Luiz Sérgio, que questiona se há "fato determinado" no requerimento de criação da Comissão. Esse é um dos requisitos para uma CPI ser criada.

A oposição acusa o governo de manobra para impedir a instalação da CPI e prometeu contra-ataque. PSDB, PFL e PPS anunciaram que vão hoje tarde ao Supremo Tribunal Federal pedir, liminarmente, a instalação da comissão. "O sistema aéreo brasileiro está no limite e precisamos ter um posicionamento. O que a gente sente é que há um medo de que a CPI se estenda. Me parece que o principal medo reside na Infraero, que dizem por aí que tem problemas de superfaturamento. Mas isso é apenas uma suposição, vamos investigar e fazer proposições para o futuro", disse o líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC).

"O governo não tem medo de nada", rebateu o líder do PT, Luiz Sérgio. "O que o governo quer é colocar a pauta que interessa ao país. CPI nos últimos anos tem se transformado em palanques eleitorais", disse o líder. Além de recorrer ao Supremo, a oposição disse que irá recolher assinaturas para que a CPI seja mista e irá boicotar as votações em plenário enquanto a situação não se resolver. "Nos retiramos do plenário e não vamos votar mais nada. Vamos aguardar a decisão do Supremo, após essa liminar, vamos decidir como seguiremos com nossa posição. Até lá nos negamos a apreciar qualquer outro tema", disse o líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio (SP).

O líder do PFL, Onyx Lorenzoni (RS), criticou presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), porque ele teria trabalho no caso em favor do governo. "Há um fato notório, e o número de assinaturas exigidas, portanto, só restava uma atitude do presidente: instalar. Fora isso, ele está fazendo o jogo crescente e preocupante do aumento do autoritarismo por parte do governo Lula", disse.

O vice-líder do PT, Henrique Fontana (RS), disse que o objetivo é evitar uma guerra política entre os partidos. "Somos contrários CPI que, no nosso ponto de vista, não tem fato determinado, tem uma tentativa de abrir leque de investigações para gerar o conflito entre oposição e situação. Aí, vira guerra Se nós entrarmos numa guerra, podemos chegar amanhã e dizer: quem sabe vamos fazer uma CPI para investigar os metrôs de todo o Brasil? Aí retomamos um ambiente de guerra entre governos", acrescentou.

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