Até ontem, a administração do JW Marriot Hotel negava as evidências: o piloto e o co-piloto do jato Legacy que se chocou com o Boeing da Gol seriam hoje seus hóspedes mais conhecidos, ainda que por uma razão trágica. O que a administração silencia, porém, funcionários menos graduados confirmam em conversas discretas: os americanos Joe Lepore e Jan Paladino, respectivamente piloto e co-piloto, estão no hotel. Eles tiveram os passaportes apreendidos pela Justiça para que não deixem o País antes da conclusão da investigação sobre as causas do acidente.

Apesar de estarem em um hotel de luxo de nível internacional, um prédio de 16 andares, com 245 apartamentos, localizado na Avenida Atlântica, de frente para a Praia de Copacabana, um dos principais destinos turísticos do País, os americanos têm seguido uma rotina de reclusão, não deixando os quartos sequer para as refeições, de acordo com os relatos. A diária mais barata do hotel, para os quartos da categoria Quality, que não têm vista, custa US$ 265. Já a da suíte Ocean View Junior, sai por US$ 395.

Funcionários contam que dois policiais federais estão permanentemente nas portas dos quartos de Lepore e Paladino. As suas mulheres, Ellen e Melissa, desembarcaram sábado vindas de Nova York. Surpreendidas pela imprensa no Aeroporto Internacional Tom Jobim, elas não deram declarações. Segundo funcionários do Marriot, elas estiveram no hotel, mas não estão hospedadas lá.

Quando têm de deixar o hotel para se apresentar às autoridades brasileiras, o piloto e o co-piloto são cercados de cuidados, dizem os funcionários. Ontem, um Omega australiano, de cor prata com vidros escuros, estaria à disposição deles, estacionado na garagem do prédio, próximo à porta de um dos elevadores. Durante todo o dia, um Toyota com a placa azul claro, que caracteriza o veículos a serviço de corpos diplomáticos, esteve parado na calçada, diante da entrada do Marriot.

Nos últimos dias, equipes de jornais, rádios e emissoras de televisão se revezaram em plantões no local. Até a noite de ontem, a vigília se revelou infrutífera. Correspondentes estrangeiros hospedados no Marriot também não conseguiram avistar os americanos. A concentração de jornalistas atrai curiosos, que perguntam quem é objeto de tamanha atenção. "É o Lula?", perguntou um deles.