É para festejar: o Brasil, no ?ranking? mundial dos países, considerando o seu PIB, ou Produto Interno Bruto, subiu do 15.º para o 11.º lugar. Esta era, até o ano passado, a posição do México, que despontava como o país mais desenvolvido da América Latina. Agora, voltou a ser o Brasil.
O PIB é um dos principais indicadores da economia. Revela o valor de toda a riqueza gerada pelo país. Considera a produção industrial, comercial, agrícola e de serviços, mas o cálculo não é uma simples soma. É muito mais complicado, pois em cada produto devem ser considerados os valores agregados. Um exemplo é pegar-se uma peça de madeira que custa R$ 100,00. Mas não será esse valor a sua contribuição para o PIB, pois em sua manufatura há o valor da madeira, dos pregos, do verniz e aí por diante. E cada um com comportamento distinto.
O levantamento refere-se ao ano de 2005 e foi feito pela Austin Rating, sob encomenda da Folha Online e com base em dados do Fundo Monetário Internacional.
A notícia é boa, mas está longe de ser ótima. Em primeiro lugar, porque para subir no ?ranking?, transformando-se no 11.º país mais rico do mundo e novamente o mais rico da América Latina, o Brasil foi beneficiado pelos efeitos da valorização do real frente ao dólar, uma vez que o nosso PIB cresceu míseros 2,3% no ano passado. Abaixo da média mundial, que foi de 4,3%, e muito abaixo do crescimento dos países emergentes, que foi de 6,4%.
Os Estados Unidos continuam em primeiro lugar no mundo, com um PIB de US$ 12,452 trilhões. Depois vem o Japão e, em seguida, a Alemanha, o Reino Unido, a França, a China, Itália, Espanha, Canadá e Coréia. A Rússia perde para o Brasil, pois ficou em 12.º lugar. Mas também melhorou, pois no ano anterior estava em 16.º lugar. O México regrediu, pois caiu de 11.º para 13.º. A nossa vizinha e sócia do Mercosul, a Argentina, melhorou dois pontos e está em 33.º lugar. Entre os piores há poucas alterações. Lá estão Serra Leoa, Suriname, República Centro-Africana, Lesoto, Mongólia e Mauritânia.
O nosso PIB é de R$ 1,937 trilhão. É pouco, pouquíssimo, pois não nos garante um lugar esperado para um país tão grande e de tantos potenciais de desenvolvimento nem propicia uma adequada renda per capita, ou seja, sua divisão pelo número de habitantes. Não podemos esquecer que este é um país gigantesco em território, em riquezas não exploradas ou mal exploradas e com uma população numerosa e que cresce em níveis acima do desejável. No mais, o 11.º lugar não pode nos satisfazer, pois já fomos, anos atrás, a 7.ª economia do mundo.
Se examinarmos a relação dos trinta países com mais elevados PIBs do mundo, vamos encontrar abaixo do Brasil a Noruega, Dinamarca, Áustria e até a Suécia. Isso demonstra que esses números são relativos. Há que se acompanhar melhor a renda per capita para concluir o que teoricamente caberia a cada um. É certo que com PIBs mais modestos, esses países têm os melhores níveis de vida do mundo e não têm miséria. É que são menores, têm menos população e sistemas de governo com programas sociais bem sucedidos. Além disso, têm elevados percentuais de poupança e investimentos altamente produtivos.
Nós somos um gigante deitado eternamente em berço esplêndido, com uma riqueza contada nada desprezível, mas distribuída de forma injusta e até vergonhosa. Em suma, dá para ficarmos alegres com o progresso verificado, reconhecendo que ele existiu, mas foi pequeno, teve causas que não significam necessariamente aumento da produção e estão longe de traduzir um melhor nível de vida para o nosso povo.