A suspeita de que US$ 24 bilhões foram movimentados entre 1999 e 2002 de forma irregular para fora do País, via contas bancárias não declaradas de doleiros e empresas off-shore, motivou a Justiça a decretar a prisão temporária de cerca de 50 pessoas, apenas no Estado de São Paulo na Operação “Farol da Colina”, realizada hoje em sete Estados brasileiros pela Polícia Federal (PF).

“A origem das investigações foi no Banestado, em Foz do Iguaçú (PR), e na agência do mesmo banco em Nova York. A PF rastreou o complexo esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal”, explicou o delegado da PF, Wagner Castilho, porta-voz da Superintendência da PF em São Paulo.

Castilho esclareceu que, além dos doleiros, empresários e comerciantes da área de importação e exportação também passam pela investigação. “Os doleiros operavam de maneira irregular ou ilegal com empresas que se denominavam como turismo ou câmbio, mas que atuavam como off-shore”, comentou Castilho.

Segundo ele, as empresas operavam no chamado sistema de “dólar a cabo”, no qual os empresários e comerciantes indicavam, via doleiros, contas no exterior para receber recursos, sem declarar à Receita e tampouco recolher os impostos. “Um exemplo de operação ocorre quando um exportador brasileiro vende um determinado produto no exterior e não notifica a operação ao Banco Central (BC), assim como não recebeu os valores no Brasil, via conta CC5. Esse exportador brasileiro indicava ao importador de outro país quem seria o seu doleiro e este último informava qual era a conta fora do Brasil na qual o depósito deveria ser efetuado”, explicou.

De acordo com o delegado, este mesmo doleiro fazia uma espécie de distribuição dos recursos para outras contas, principalmente em paraísos fiscais. O delegado comentou que as investigações chegaram até uma empresa instalada em Nova York chamada Beacon Hill Service Corp (BHSC), que na prática funcionaria como uma espécie de “cooperativa de doleiros”. “A empresa funcionava com movimentação, em sua maioria, de doleiros brasileiros. Nos Estados Unidos é permitido possuir um titular e subtitulares de contas correntes e doleiros atuavam na BHSC para depositar os recursos dentro dos Estados Unidos e depois remetê-los para outras contas, sempre sem informar à Receita Federal”.

Castilho informou que a PF chegou a essa empresa com a ajuda do Ministério Público dos Estados Unidos e a BHSC já foi fechada por conta de suas atividades ilegais. Como a BHSC era a maior companhia desse tipo de transação, a operação da PF recebeu o nome de Farol da Colina, em uma livre tradução do nome da empresa em inglês. Além das irregularidades nas operações de remessa ou recebimento de recursos, a PF constatou que a maior parte do dinheiro envolvido nas operações tinha origem ilícita, proveniente de sistemas de corrupção, desvio de recursos público contrabando, fraudes fiscais e bancária e “muito provavelmente” de tráfico de entorpecentes e de armas.