A Polícia Federal (PF) aguarda autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) para destruir plantações de maconha em áreas indígenas situadas na região central do estado do Maranhão. A ação da PF está sendo planejada com base em relatório do Grupo Tático Aéreo (GTA), que é ligado à Secretaria de Segurança Pública do estado. Segundo o relatório, existem 11 roças de maconha em terras pertencentes a índios guajajaras.

Como se trata de áreas indígenas, a PF necessita de autorização da Funai para iniciar a ação. "Vamos entrar em contato com a Funai esta semana para fazer a operação em breve", disse Rodrigo de Sá de Oliveira, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Superintendência Regional da Polícia Federal no Maranhão.

De acordo com o coordenador do GTA, Laércio Gomes Costa, a estimativa é de que haja cerca de 200 mil pés de maconha nas áreas identificadas no relatório. Segundo ele, estão envolvidos na produção índios e não índios. "Os brancos entram na aldeia e se sentem impunes por estar dentro de uma área indígena", observou.

O coordenador explicou que as roças de maconha foram identificadas na semana passada, durante uma ação em apoio à Polícia Militar do estado. O objetivo era destruir plantações no município de Arame, que fica próximo às aldeias. Mas, segundo Costa, ao sobrevoar a região, os policiais descobriram que a planta também estava sendo cultivada em áreas indígenas.

"Fotografei essas áreas, fiz um relatório indicando as coordenadas geográficas para que a Polícia Federal possa tomar as providências e, principalmente, pedir autorização à Funai para entrar na área, com o apoio do GTA, para erradicar essas plantações", afirmou.

De acordo com Costa, essa não é a primeira vez que a polícia identifica roças de maconha nessas áreas indígenas. Em 2004, foram destruídos 700 mil pés de maconha, com autorização da Funai. "No ano passado, fizemos uma operação na região, mas a quantidade de maconha foi bem pequena em relação a 2004. E este ano voltou a ter uma grande incidência de plantações na região", contou.

Laércio Costa disse não acreditar na possibilidade de a folha de maconha ser usada pelos índios em rituais ou para finalidades terapêuticas. "Essa hipótese eu descarto totalmente porque a comunidade indígena lá é muito pequena para a quantidade de maconha que se produz".