O saldo positivo da recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Havana, onde teve duas reuniões de trabalho com o presidente em exercício, Raúl Castro, e um encontro reservado com o comandante Fidel, cujo estado de saúde é um segredo impenetrável, foi a oficialização do acordo entre a Petrobras e a estatal cubana de petróleo (Cupet), para a exploração de petróleo na área do Golfo do México pertencente ao referido país.

A Petrobras está autorizada a realizar perfurações não apenas em áreas litorâneas, mas também em águas profundas, tecnologia na qual é considerada a maior especialista mundial. O plano inicial de ambos os governos data de 2003, mas acabou engavetado pelas intromissões indevidas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que insistia em participar em igualdade de condições por intermédio da PDVSA (estatal venezuelana de petróleo), tanto na exploração do óleo quanto na construção da fábrica de lubrificantes, também projetada.

 Outro empecilho de vulto, segundo fontes da diplomacia brasileira, foi a forte resistência do governo dos Estados Unidos à propalada movimentação de equipamentos de sondagem e perfuração em direção à costa cubana, em razão do bloqueio econômico e comercial exercido por Washington, em relação ao regime presidido por Fidel Castro.

Diante disso, a viagem de Lula à ilha somente não constituiu um sucesso absoluto porque os acordos de cooperação previstos para a recuperação da infra-estrutura rodoviária e da indústria hoteleira não foram concluídos. Esses projetos somavam US$ 700 milhões e eram de interesse da construtora Norberto Odebrecht que, segundo comentários internos, não desistirá da intenção de realizá-los em futuro breve.

O dado relevante é que a Petrobras poderá expandir seu raio de ação internacional, passando a fazer sondagens também em águas profundas da plataforma cubana e, se for de seu interesse, mediante acordos de cooperação com as demais empresas liberadas pelo governo cubano. Para a construção da fábrica de lubrificantes, o processo prevê a celebração de uma parceria entre a Petrobras e a Cupet, empresa cubana de petróleo.

Em se tratando de Cuba, há sempre uma expectativa muito grande dos meios econômicos e da imprensa quanto à questão política do país. Contudo, o presidente Lula transmitiu uma mensagem bastante otimista: ?É sempre hora de investir em Cuba?.

Esperamos que sua excelência esteja com a razão.