Porto Alegre – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve apresentar uma nova Carta ao Povo Brasileiro junto com sua candidatura à reeleição. A segunda edição do documento deve recordar que os compromissos da primeira, lançada em junho de 2002, assegurando que não haveria ruptura com o modelo econômico e que os contratos seriam cumpridos, foram incorporados à administração, e detalhar, no papel, metas de desenvolvimento e de distribuição de renda.

A informação de que há a perspectiva de elaboração de uma segunda carta foi divulgada no final de semana pelo ex-ministro da Educação e ex-presidente do PT, Tarso Genro, que ouviu do próprio Lula um pedido para examinar a possibilidade de fazer o documento. A idéia foi levada ao presidente por aliados do PC do B, PSB e PT e, segundo Tarso, foi recebida com simpatia por Lula.

"O texto deve ser um compromisso com ações políticas e administrativas para um segundo mandato", adiantou Tarso. A intenção, no entanto, ainda não foi colocada em prática. O ex-ministro diz que Lula conversou com diversas pessoas próximas entre as quais o assessor especial de Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia e o secretário-geral da presidência Luiz Dulci, mas pedindo apenas avaliações sobre a proposta.

"Não há nenhum grupo de elaboração e isso só vai existir se o presidente confirmar que é candidato", ressalva Tarso. Apesar de colocar a elaboração do documento sob a condição de Lula concorrer, Tarso já fala até nas correntes que devem ser ouvidas. "Temos de conversar com todos os atuais aliados e com os que se aliarem ao presidente".

Tarso esteve com Lula na viagem do presidente ao Nordeste e aguarda a definição sobre a pasta que vai ocupar na reforma ministerial, na segunda quinzena de março. "Ele (Lula) me pediu para não assumir qualquer candidatura porque quer me incorporar à equipe", revela. "O cargo não está definido, mas é certo que eu vou colaborar".