O ritmo de queda da desigualdade de renda no Brasil desde 2001, que já reduziu o índice de concentração de renda em 4%, precisa se manter por mais 25 anos para que o Brasil chegue ao padrão internacional, diz texto do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O País continua com uma das maiores concentrações de renda no mundo, mas que está diminuindo e deve cair ainda mais, segundo os pesquisadores do Ipea, devido a investimentos "massivos" em qualificação dos trabalhadores e aumento na taxa de emprego. No entanto, a parcela de 1% da população formada pelos mais ricos tem a mesma renda dos 50% mais pobres.
Os pesquisadores Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho, Samuel Pessoa e Rosane Mendonça registram no trabalho que, para os 20% mais pobres do País, a redução da desigualdade foi três vezes mais importante que o crescimento econômico de 2004. Naquele ano, o PIB aumentou 4,9%, maior taxa dos últimos tempos, e a renda por habitante dos 20% mais pobres cresceu ainda mais, atingindo 13%.
Mais de um terço desse aumento veio de renda não originada do trabalho, como benefícios do Bolsa Família. A remuneração do trabalho representa três quartos da renda total, mas menos da metade da redução da desigualdade veio de mudanças ligadas ao mercado de trabalho. Não por aumento no acesso ao trabalho, segundo os pesquisadores do Ipea. Eles ressaltam que "a evolução da qualidade dos postos de trabalho é pelo menos duas vezes mais importante que as mudanças ocorridas na qualificação da força de trabalho para explicar a queda da desigualdade".
Mencionam adicionalmente como fatores para a melhor distribuição de renda a interiorização da atividade econômica, a redução de diferenças entre municípios de grande e pequeno porte e a expansão na agricultura.
Os pesquisadores recomendam priorizar medidas que melhorem a qualidade média dos postos de trabalho, como a ampliação do microcrédito; que fortaleçam e aumentem a cobertura da rede de proteção social e políticas educativas.


