Foram vendidos 6,2 milhões de computadores no Brasil no ano passado, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O crescimento foi de 24% sobre o ano anterior. "Foi por uma combinação de fatores, que incluem as chamadas medidas do bem, o câmbio favorável e o processo de informatização das empresas", afirmou o professor Fernando Meirelles, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, responsável pelo estudo.
"O mercado cinza ficou um pouco mais claro", disse Meirelles, referindo-se aos fabricantes que usam peças contrabandeadas e sonegam impostos. Para este ano, a previsão de crescimento do mercado de computadores é de cerca de 15%.
O avanço forte das vendas de PCs foi um dos destaques da 17.ª edição da pesquisa da FGV sobre o Mercado Brasileiro de Informática e Uso nas Empresas. Outro destaque foi a evolução dos gastos das empresas em informática, que passou de 5,1% do faturamento em 2004 para 5,3% ano passado. Para este ano, a previsão é de crescimento. Em 2000, os gastos estavam em 4,2%.
"Está havendo uma ligeira aceleração nos gastos das empresas com informática", afirmou o professor. Para ele, a tendência é retomar os índices históricos de crescimento. No ano passado, a expansão dos gastos ficou em 4%, a mesma variação verificada em 2004. A média dos 17 anos de existência da pesquisa é de 8% de expansão.
Existem cerca de 32 milhões de computadores em uso no Brasil este mês, de acordo com o estudo. No ano passado, a base de computadores fechou em 30 milhões. O País possui 17 computadores por 100 habitantes, um pouco acima da média mundial que está em 16. Os Estados Unidos, no entanto, contam com 77 máquinas para cada grupo de 100 pessoas. No que diz respeito a telefones, fixos e móveis, o índice brasileiro é de 70%, comparado a 120% dos EUA e 47% de todo o mundo. Em aparelhos de TV, o Brasil tem 56%, frente a 100% dos EUA e 39% de todo o mundo.
O custo anual por teclado, que corresponde aos gastos e investimentos totais em informática pelo número de teclados, ficou estável em US$ 9,2 mil. Em reais, o valor caiu 12%, para R$ 22,1 mil. "Até agora, a adoção de software livre pelas empresas teve impacto zero", afirmou Meirelles. "Temos casos de empresas com software livre que gastam mais e de software proprietário que gastam mais. Quanto cada um gasta depende mais de sua postura em relação aos custos que à arquitetura de software."
O software livre, como o sistema operacional Linux, não exige pagamento de licenças, ao contrário do software proprietário, como o Windows, da Microsoft. De acordo com a pesquisa, o Linux responde por 16% do mercado de sistema operacional para servidores no País, comparado a 63% do Windows. A Novell tem 3%. No microcomputador de mesa das empresas, a participação do Windows está em 97%.