O peso dos benefícios sociais concedidos no transporte coletivo das grandes cidades, como passes e gratuidades, são um grande obstáculo para a redução do preço das passagens de ônibus em todo o Brasil. Os prefeitos reunidos em Curitiba querem encontrar fontes de recurso para compensar esse custo. Os prefeitos destacam que não pretendem defender cancelamento dos benefícios.
"Não tem conversa: nada sai de graça no transporte público. Se a gente dá passagem para alguns, os outros pagam a conta", disse o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad.
Para o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, os benefícios são um dos três grandes problemas enfrentados por todas as médias e grandes cidades. As gratuidades tendem a pesar cada vez mais no cálculo das tarifas porque grande parte dos passageiros que não pagam são idosos e a expectativa de vida média do brasileiro aumenta a cada ano.
Outra questão levantada por Cury é o aumento da informalidade na economia. Os trabalhadores de grandes empresas têm transporte especial ou recebem vale-transporte do empregador, enquanto os trabalhadores informais precisam pagar a tarifa do próprio bolso. "Isso afasta o passageiro dos ônibus, diminui a rentabilidade do sistema e torna a passagem mais cara", explicou ele.
Outro fator que contribui para a queda do número de passageiros, segundo Cury, é a oferta de alternativas como as motocicletas de baixo preço e até a oferta de ciclovias, que fazem o trabalhador de baixa renda trocar o ônibus pela bicicleta.
A diminuição de usuários do transporte coletivo foi chamada de "espiral da morte" pelo prefeito de Curitiba, Beto Richa. "O custo do sistema é dividido pelo número de usuários para se chegar ao valor da tarifa. Quanto menos gente usando os ônibus, mais caro fica o sistema", disse o prefeito curitibano.
Paulo Schmidt, presidente da Urbs, a empresa que gerencia o transporte urbano em Curitiba, fez uma apresentação aos prefeitos sobre a situação do sistema na cidade, e mostrou dados que comprovam a redução de passageiros. Nos últimos dez anos, a oferta de linhas e horários aumentou em 50% e o número de passageiros pagantes caiu quase 10%. Ao mesmo tempo, novas legislações criaram benefícios sociais, que garantiram transporte grátis para vários grupos da sociedade. "Não é nosso interesse restringir os benefícios, mas precisamos encontrar maneiras de evitar que esses custos saiam do bolso do trabalhador que paga passagem", afirmou ele.


