Apenas a espera por detalhes de perícia técnica impede a Polícia Federal de afirmar que os R$ 418 mil encontrados em uma casa em Natal (RN) fazem parte dos R$ 164 milhões furtados no prédio do Banco Central em Fortaleza há um ano. No sábado, três adolescentes, um policial militar, policiais civis e vizinhos da residência, na zona norte da cidade, tiveram contato com as notas. Mais de uma dezena de pessoas envolvidas com o caso deve prestar aos federais.

"A perícia técnica no local está prejudicada. Muita gente teve acesso à casa e o trabalho científico fica mais difícil. Só por isso não podemos ainda afirmar categoricamente que o dinheiro é do Banco Central", comenta Rômulo Berrêdo, delegado de Regional de Combate ao Crime Organizado da PF no Estado. Ele auxilia Antonio Celso dos Santos, delegado especial do Departamento de Polícia Federal, que investiga o crime desde o início. Santos insiste em fazer pessoalmente as investigações em Natal e tem convicção que o dinheiro é mesmo do Banco Central.

"A investigação é compartimentada e nós não temos acesso a tudo que é produzido pelo delegado Antonio Celso, ele tem informações muito particulares", diz Berredo. "Estamos tratando da burocracia e identificando todos (que tiveram contato com o dinheiro ou sejam testemunhas) que serão ouvidos". Os R$ 418 mil ainda não foram depositados em conta judicial.