Há poucos dias, aqui neste espaço de O Estado, registrou-se a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que indicava que 27% da população brasileira ainda não tinha acesso a saneamento básico. Na esteira deste número aterrador, surge uma outra péssima notícia: o Rio Iguaçu, que corta o Paraná de leste a oeste, é o segundo mais poluído do País, apenas atrás do Rio Tietê, em São Paulo.

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E vale o registro: quando se fala em poluição no Brasil, fala-se na cidade de São Paulo e no Rio Tietê. Sempre se remete às cenas dos dias cinza, das águas turvas, repletas de entulhos e com dejetos a céu aberto. Pensar que, no Índice de Qualidade da Água (IQA), desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Tietê está com a nota 30, e o Iguaçu está com nota 31.

Isto mesmo. Na escala feita pelo IBGE, o rio paranaense é ?pouco mais limpo? que o paulista ou, melhor, é pouco menos poluído. E, justamente, naquele rio que sai da capital Curitiba e deságua nas Cataratas do Iguaçu, patrimônio da humanidade e destino turístico de milhões todos os anos. É água que representaria alimento, saúde, energia e até divisas para o Paraná. Mas, hoje, é água suja, que mancha o nome do Estado, joga sob dúvida todo o trabalho de meio ambiente que foi (e é) feito nos últimos anos.

A reação dos canais oficiais foi típica: reclamar da divulgação da pesquisa e chamar, neste caso, a comparação entre o Iguaçu e o Tietê de ?sandice?, como afirmou o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Lindsley da Silva Rasca Rodrigues.

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Ao invés de atacar o IBGE, o poder público poderia atacar o problema de uma vez. São necessárias ações incisivas, dando acesso ao saneamento à população ribeirinha e despoluindo logo o Iguaçu e seus afluentes. São medidas fundamentais para o Estado, não só para quem vive às margens do rio.

Pode demorar, é verdade, mas se ficarmos pensando que é melhor adiar porque a solução é tardia, logo não haverá tempo para salvar o Rio Iguaçu.

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