Pecuaristas do Paraná consideram ‘criminosa’ atitude do ministério

A Sociedade Rural do Paraná (SRP) classificou de "criminosa" a atitude do Ministério da Agricultura que considerou inconclusivos os resultados dos exames sobre a presença de febre aftosa no Estado. "Quem irá se responsabilizar a partir de agora pela sanidade do rebanho paranaense, que não está podendo ser vacinado convenientemente por causa da indefinição do Ministério?", questionou o presidente da SRP, Edson Neme Ruiz.

Dezenove animais comercializados pela SRP durante a Eurozebu, no início de outubro, foram considerados suspeitos de aftosa. Por causa da suspeita, oficializada dia 21 de outubro, quatro municípios – Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá – foram interditados e 36 declarados áreas de risco. A vacinação, o transporte, o abate de animais e a retirada de leite in natura nesses municípios foram proibidos. E continuarão, até que o Ministério da Agricultura levantar as barreiras.

Em nota oficial, a SRP contestou os argumentos do Ministério da Agricultura como responsável pela manutenção da suspeita da presença da aftosa no Paraná. O primeiro argumento refere-se à procedência dos animais comercializados na Eurozebu. Eles foram ofertados pela Fazenda Bonanza, de Mato Grosso do Sul – daí a origem da suspeita, já que a região apresentou até agora 22 focos confirmados de aftosa.

"Os animais oriundos de Mato Grosso do Sul", diz a nota, "pertenciam a uma única propriedade (…) e até o momento laudos emitidos pela Iagro (o órgão de vigilância sanitária daquele Estado) atestam que todos os animais dessa propriedade não apresentam nenhuma sintomatologia que indique a presença do vírus da febre aftosa". Segundo Neme Ruiz, o laudo mais recente foi feito nesta sexta-feira.

Os exames feitos pelo Laboratório Nacional de Agricultura (Lanagro), com sede em Belém (PA), obedeceram criteriosamente às recomendações internacionais, garantiu a SRP. A bateria de exames incluiu "dois exames sorológicos (ELIZA 3ABC e EITB), o exame de macerado de epitélio (a partir de uma amostra de necropsia) e cultivo celular a partir de amostras colhidas por Probang". As amostras, observou o presidente da SRP não se limitaram aos 19 animais suspeitos – se estenderam a mais de 500 animais. "O resultado final foi negativo", enfatizou Neme Ruiz.

"É estranho, muito estranho", reagiu Neme Ruiz à afirmação do Ministério de que, apesar de os exames darem negativo, o diagnóstico conclusivo não deve se restringir apenas a "resultados de exames laboratoriais", exigindo-se também que se considerem as manifestações clínicas e "a vinculação epidemiológica, ou seja, a origem dos animais".

"Isso não é condizente com a realidade dos fatos", sublinhou o presidente da SRP, porque não há "sinais clínicos de febre aftosa na propriedade de origem e nas propriedades de destino dos animais", e também por causa da "negatividade dos exames laboratoriais emitidos pelo laboratório de referência" indicado pelo Ministério. A nota da SRP conclui com um desafio enigmático: "Quais são os interesses que estão acima da segurança nacional?"

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