Detentos submetidos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes – incluindo o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Camacho, o Marcola -, iniciaram uma greve de fome na manhã de ontem possivelmente contra as mudanças feitas nas celas depois das obras de reforma do presídio. Agentes ouvidos na saída do expediente, no final da tarde, confirmaram o protesto dos detentos. Segundo eles, dos 61 homens presos no CRP, 40 se recusaram a tomar o café da manhã e somente 13 aceitaram as marmitas do almoço, cujo cardápio foi arroz, feijão, lingüiça com queijo, salada de chuchu, polenta frita e goiabada de sobremesa. No jantar, somente os mesmos 13 detentos aceitaram as refeições.

De acordo com os agentes, dos cinco líderes da cúpula do PCC detidos no CRP, apenas dois deles – Robson Lima Ferreira, o Marcolinha, e Orlando Mota Junior, o Macarrão, aceitaram as refeições. Os agentes suspeitam que isso tenha ocorrido porque os dois deverão se tornar porta-vozes do movimento.

Outros líderes presos no CRP são, além de Marcola, Júlio César Guedes, o Julinho Carambola, e Roberto Soriano, o Betinho Soriano.

A suspeita é de que o movimento tenha sido idealizado por outro bandido famoso detido no CRP, o chileno Maurício Norambuena, seqüestrador do publicitário Washington Olivetto, que trabalha como uma espécie de consultor do PCC. No entanto, os presos não quiseram falar sobre o movimento. ‘Perguntamos a eles por que estavam se recusando a se alimentar e eles disseram que vamos saber disso através da imprensa, que deverá receber mensagens deles nos próximos dias’, comentou um dos agentes.

Na última quarta-feira, os presos voltaram a ocupar as celas reformadas e teriam ficado revoltados com as mudanças. Vinte e cinco deles, que tinham sido transferidos para o CRP de Avaré, voltaram para Bernardes no final de outubro. Eles estariam reclamando contra a instalação de uma chapa de metal na frente dos vidros das janelas. A chapa é perfurada, mas estaria reduzindo a entrada de luz. Outra reclamação seria contra a retirada de telas das entradas de ar das celas. No lugar foram colocadas chapas perfuradas de metal que estariam aumentando o calor no xadrez.

As reformas começaram em 20 de agosto, depois que os presos fizeram quebra-quebras em junho e julho, destruindo vidros, vasos sanitários, pias e as telas das entradas de ar. A Coordenadoria dos Presídios do Oeste Paulista negou ontem a existência da greve de fome. Um dos diretores da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) confirmou o movimento, porém, alertou que ainda seria cedo para encarar a situação como uma greve.