O técnico Paulo César Gusmão descartou nesta sexta-feira a possibilidade de assumir, neste momento, o comando do Corinthians, afirmando que só deixará o Cruzeiro caso seja demitido. Dirigentes do clube mineiro deixaram claro que não aceitariam uma saída do treinador na fase decisiva do campeonato estadual.

PC Gusmão sustentou a versão de que não manteve nenhum contato ou conversou com representantes da diretoria corintiana nos últimos dias para tratar de uma possível transferência para o Parque São Jorge. "A única forma que eu posso sair do Cruzeiro hoje é demitido", disse o treinador, após comandar as atividades do grupo celeste na Toca da Raposa II. "Se a diretoria achar que deve me demitir, que não estou rendendo…"

O que pesa no momento é a disputa do Campeonato Mineiro. Às vésperas do clássico contra o Atlético Mineiro, PC Gusmão não se arriscou a dar qualquer declaração que pudesse ser interpretada como uma vontade de dirigir o Corinthians e falou em "dívida de gratidão" com a torcida cruzeirense. Aos jogadores, disse que "não abandonaria o barco".

O presidente do Cruzeiro, Alvimar de Oliveira Costa, foi mais explícito e deixou claro que considera impensável a possibilidade de ele deixar o clube neste momento. "Quando você está disputando uma semifinal, ou uma final de qualquer disputa, especificamente a mineira, claro que é necessário que ele dirija a equipe nesses jogos", afirmou, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. O Cruzeiro enfrenta o Atlético no domingo, no segundo jogo do confronto pelas semifinais do Estadual.

Após o Cruzeiro encerrar sua participação no Mineiro, porém, não haverá empecilhos para uma possível transferência do técnico para o Corinthians. Algo que Alvimar classificou como "uma coisa natural". O diretor de Futebol, Eduardo Maluf, disse que a multa rescisória pela quebra unilateral do contrato é "pequena" e não "invabializa a saída de ninguém".

PC Gusmão e os dirigentes celestes procuraram minimizar a polêmica envolvendo declarações do vice-presidente de Futebol, Zezé Perrella, que disse que o time celeste tinha a obrigação de ganhar o campeonato estadual. O treinador chegou a admitir que ficou magoado. Nesta sexta, abrandou o discurso, dizendo que quem quer trabalhar num clube como o Cruzeiro tem de estar preparado para este tipo de pressão. "Eu acho que houve um mal-entendido em relação às colocações do Zezé", completou Maluf.