O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, quer dar um "choque de gestão" nas estatais – que atualmente são 135, se forem contadas empresas como Petrobras e Banco do Brasil e suas subsidiárias. A União é acionista de todas elas e tem um representante em cada uma em vários ministérios.

A idéia, segundo o diretor do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest), Eduardo Scaletsky, é fortalecer o papel da União em cada uma. "É preciso coordenar melhor a atuação da União como acionista", disse.

Segundo ele, esse não é problema exclusivo do Brasil. O País participa como observador, há dois anos, de um grupo de estudos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que deve propor uma espécie de manual de boas práticas na área. "A Nova Zelândia está bem adiantada, a França e a Alemanha estão iniciando trabalhos."

Uma governança mais eficiente permitiria, na avaliação de Scaletsky, deixar as empresas estatais "mais soltas". Hoje, os investimentos dessas empresas são controlados em detalhe pelo governo e pelo Congresso.

"Se deixarmos claro quais os resultados esperados, poderemos reduzir o controle dos meios e focar nos resultados gerenciais", disse Scaletsky.

Superávit

As estatais brasileiras tinham como meta, em 2005, obter superávit primário (diferença entre receitas e despesas, excluídos gastos com juros) de R$ 15 bilhões, ou 0,77% do PIB, mas conseguiram resultado positivo de R$ 16,6 bilhões. A Petrobras teve superávit de R$ 9,7 bilhões, ante uma meta de R$ 9,5 bilhões. O grupo Eletrobrás teve resultado positivo de R$ 2 2 bilhões, para uma meta de R$ 1,6 bilhão.