O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, deixou hoje a polidez de lado e fez duras críticas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Patrus disse que FHC fez um "péssimo" governo e está sujando sua biografia, "tornando-se um golpista". Durante um corpo-a-corpo com o com o candidato do PT ao governo de Minas, Nilmário Miranda, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, o ministro foi questionado sobre as declarações de FHC na carta aberta divulgada na última quinta-feira – na qual o ex-presidente ataca o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também faz uma autocrítica em relação ao PSDB.
Patrus considerou "lamentáveis" as afirmações de FHC e disse que não há comparação entre sua gestão e a de Lula no que se refere às questões sociais. Na carta, Fernando Henrique afirmou que os tucanos não devem temer o Bolsa Família, que resultou de programas criados durante seu governo e está sendo desvirtuado pela "velocidade eleitoreira".
"Não há comparação entre os investimentos feitos pelo presidente Lula na área social e o governo passado. Os programas anteriores eram localizados, sem consistência e sem controle de atendimento", rebateu o ministro. Segundo ele, "o professor Fernando Henrique Cardoso deu, no passado, uma contribuição importante à compreensão do Brasil", mas, "infelizmente", foi "um péssimo presidente". "Não marcou. O governo dele não está presente no coração e na memória do povo, especialmente dos pobres. Privatizou o País, não implementou políticas sociais".
Em seguida, Patrus disse que FHC "está conspurcando (sujando) sua biografia, tornando-se um golpista". O ministro se referia às afirmações do ex-presidente, de que na atual conjuntura faltava um Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, para contrapor o governo Lula; e a exortação aos tucanos para que colocassem "fogo no palheiro", cobrando, na campanha eleitoral, mais ataques ao PT e ao presidente no campo ético.
"Quem conhece o Brasil sabe que, a despeito do brilho e da inteligência do Lacerda, a contribuição dele para a democracia brasileira não foi positiva. Depois, ele fala que é preciso colocar fogo no palheiro. O palheiro é o Brasil, somos todos nós", alegou Patrus.