O sistema partidário brasileiro chegou ao limite da desagregação, da impotência e da carência de significado, e nem ao menos faz jus à classificação de minimamente razoável.
A enorme parede de separação entre a realidade mesquinha vivida pelos partidos – fruto de sua própria concepção – e a realidade das ruas, sobretudo, da necessidade de partidos fortes, representativos e com programas avançados de atuação junto à massa, deve ser demolida a qualquer custo.
A pá de cal sobre o sistema partidário, que a maioria dos observadores diz ser um perfeito retrato do País, veio com absurda conjuntura onde floresceu a candidatura e, afinal, a eleição em segundo turno – por 300 votos – do deputado Severino Cavalcanti à presidência da Câmara.
Partidos amorfos e indefinidos quanto à conduta programática, em termos de ética nem é bom falar, meras estruturas esvaziadas de conteúdo e inteligência a preencher o sagrado espaço democrático encarnado pelo Legislativo, na objetiva repartição de poderes idealizada por Montesquieu.
A reforma política constitui, nesse momento, a obrigação mais premente dos três poderes da República, sobre os quais se concentram os anseios mais vívidos do povo brasileiro por aperfeiçoamento democrático e representação popular legítima, sem as peias do patrimonialismo e do interesse servil.
Cabe ao Congresso dar rebatimento à altura da relevância da reforma política desejada, embora tenha contra si o lastimável comportamento do baixo clero. Um obstáculo a ser removido pela vigilância diuturna da sociedade, mediante a cobrança de eficiência, espírito e compromissos públicos. A primeira e oportuna manifestação poderia dar-se em relação ao imoral aumento de salário imposto pelo novo morubixaba da Câmara. Basta!


