Rio – A participação de estrangeiros no negócio do narcotráfico no Brasil é um fenômeno que vem atraindo, cada vez mais, a atenção da Polícia Federal. A constatação é do chefe da Divisão de Repressão a Entorpecentes da instituição, Júlio Bortolato.

Segundo dados da Polícia Federal, 305 dos 4.230 indiciados por tráfico de droga no país, em 2005, não são brasileiros. A maior parte dos estrangeiros presos por tráfico de drogas pela Polícia Federal (142 pessoas) é originária da África. O número de sul-americanos também é grande: 86 indiciados. Foram registradas também prisões de europeus (56), asiáticos (13) e norte-americanos (8).

De acordo com Bortolato, a maioria dos estrangeiros está envolvida com o tráfico internacional de drogas, ou seja, com a entrada de entorpecentes no Brasil ou mesmo o envio dessas substâncias ao exterior. "Normalmente, eles têm os contatos e conhecem determinados meios que possam levar ao sucesso do transporte das substâncias para fora do país", disse Bortolato.

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal realizou uma das maiores apreensões de cocaína no estado do Rio de Janeiro: mais de 1,6 tonelada da droga, que estava escondida dentro de carne bovina e seria transportada de navio para Portugal. À frente da operação ilegal, estaria, segundo as investigações, um português.

Um relatório do Departamento de Estado norte-americano, divulgado em março, aponta o Brasil como um importante entreposto de distribuição de cocaína para a Europa, o Oriente Médio e a África. O país também é apontado, ainda que em menor escala, como um redistribuidor de heroína para os Estados Unidos e a Europa.