Um grupo de parlamentares protocolou há pouco, na Secretaria Geral da Mesa do Senado, pedido de abertura de comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar as denúncias da Operação Sanguessuga, da Polícia Federal, que desarticulou um esquema de fraudes em licitações na área de saúde. O documento, com a assinatura de 230 deputados e 30 senadores, foi apresentado pelos deputados Maninha (Psol-DF), Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e a senadora Heloisa Helena (Psol-AL).

A CPMI, segundo a senadora, é uma obrigação. "O povo exige que o Congresso Nacional dê um fim ao banditismo político. É necessário identificar quais parlamentares e quais funcionários dos ministérios da Fazenda e da Saúde participaram das fraudes na aquisição de ambulâncias", afirmou Heloisa Helena, no Salão Azul do Senado.

Gabeira acrescentou que se o presidente do Senado, Renan Calheiros, encontrar novamente "uma filigrana política para impedir instalação da CPMI", o grupo vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Questão de moral

"Em 48 horas nós demos a volta por cima e conseguimos o número suficiente de assinaturas", comemorou o deputado Raul Jungmann, ao ressaltar que, se novamente alguma assinatura for retirada, os defensores da CPMI conseguirão novas adesões. E avisou que serão divulgados os nomes dos desistentes.

Perguntado se a CPMI seria viável neste momento, com o Congresso esvaziado por conta das eleições e da Copa do Mundo, Jungmann disse que a instalação da comissão "é uma questão de moral" e os parlamentares que faltarem devem devolver os salários. Para o deputado, a CPMI é importante para esclarecer a participação de parlamentares nas fraudes. "Não interessa [à população] a renovação de mandatos de deputados que estejam sob suspeita."