Parlamentares criticam manobra de Severino Cavalcanti

Brasília (AE) – O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), criticou hoje (8) a decisão do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), de segurar o pedido de cassação de José Dirceu (PT-SP). "O Conselho de Ética é o fórum adequado para analisar as prioridades. O presidente da Câmara está fazendo um filtro por antecipação", afirmou Agripino.

Para o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), a protelação da abertura do processo de cassação aponta para uma atuação política do governo na tentativa de impedir a punição de Dirceu. "A desculpa para protelar a análise de qualquer caso, especialmente o do ex-ministro José Dirceu, não pode ser o limite de parlamentares que compõem o Conselho de Ética", argumentou Rodrigo Maia.

"Essa desculpa é conveniente para quem tem interesse, como o governo, em protelar esse caso. Porque se o problema é falta de gente no conselho, os líderes partidários podem fazer um acordo para aumentar o número de integrantes e analisar todos os casos que existirem simultaneamente", afirmou o pefelista. "Acho que tem o dedo do governo nisso."

Apesar de criticar a decisão, Rodrigo Maia não acusou Severino de articular uma manobra para beneficiar o ex-ministro da Casa Civil. "Eu não me atreveria a dizer, mas não julgo correta a decisão do presidente da Câmara", limitou-se a dizer. Já o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) vê na posição adotada por Severino uma tentativa de salvar Dirceu de um eventual processo de cassação.

Caso a caso – O líder do governo Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), também comentou a decisão do presidente da Câmara. "Processo de cassação tem de ser analisado caso a caso. O processo tem de ser individualizado", argumentou. "O conselho tem de concluir um processo. Sempre foi assim. Não vejo razão para alterar isso", acrescentou.

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